Mais salários em atraso é resultado da crise, diz ministro

O ministro do Trabalho reconheceu hoje que o número de trabalhadores com salários em atraso aumentou este ano em resultado da crise, mas valorizou a intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) neste domínio.

"Isto também mostra que a ACT funciona e está no terreno. Identifica estas situações e age em conformidade", disse Vieira da Silva, à margem da inauguração de um equipamento social da Santa Casa da Misericórdia.

"Vivemos uma crise com consequências sérias", sublinhou o ministro, lembrando que existem estímulos e apoios para as empresas que estão a passar por dificuldades.

O ministro lembrou ainda que a Segurança Social existe também para ajudar e dar protecção a estes trabalhadores.

De acordo com os dados hoje divulgados pela agência Lusa, nos primeiros seis meses do ano, o número de trabalhadores com salários em atraso detectados pelos inspectores da ACT ultrapassou os 10 mil, com o montante em dívida a chegar aos 6,7 milhões de euros.

Questionado ainda sobre os números do desemprego hoje divulgados pela OCDE, o ministro do Trabalho diz que correspondem à estimativa divulgada há umas semanas pelo Eurostat e mostram que "a recessão está a atingir níveis muitos profundos, com valores que não eram conhecidos na Europa desde os anos 30 e isto reflecte-se no desemprego".

De acordo com a informação avançada, a taxa de desemprego subiu para 8,3 por cento na zona da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE) em Maio, contra os 8 por cento no mês anterior.

Portugal, ex-aequo com França, apresenta a sexta maior taxa de desemprego dos países da OCDE, com 9,3 por cento da população activa desempregada, após Espanha (18,7 por cento), Irlanda (com 11,7 por cento), Eslovaquia (11,1 por cento), Hungria (10,2 por cento) e EUA (9,6 por cento).

RRA/ICO

Lusa

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