Desemprego: Entrevistas telefónicas inviabilizam comparações

O Instituto Nacional de Estatística (INE) vai passar a recolher informação sobre o emprego por telefone, o que vai inviabilizar as comparações directas com as estimativas anteriores ao último trimestre de 2010 e posteriores ao primeiro trimestre de 1998.

O INE justifica a alteração com as dificuldades em fazer contactos nos domicílios e com a necessidade de "acompanhar os padrões europeus". "A partir de Janeiro de 2011, o INE passa a adoptar o modo de recolha CATI - Computer Assisted Telephone Interviewing na recolha de informação do Inquérito ao Emprego", refere o INE numa informação divulgada aos utilizadores.

"Consequentemente, as estimativas para os agregados do mercado de trabalho passarão, a partir do primeiro trimestre de 2011, a ser calculadas com base na informação disponibilizada pelas famílias através de recolha telefónica", explica. A alteração implica, como alerta o INE, que deixem de ser viáveis as comparações directas com as estimativas anteriores, ou seja, entre o primeiro trimestre de 1998 e o último de 2010.

A Lusa contactou o INE para saber como serão feitas comparações com dados anteriores, mas até ao momento não foi possível obter resposta.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.