Arsenal do Alfeite S.A. arranca com postos de trabalho assegurados

A conversão do Arsenal do Alfeite em sociedade anónima, que terça-feira entra em vigor, não implicará o despedimento de trabalhadores, garantiu hoje o secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, João Mira Gomes.

"Desde o início do processo que assegurámos que não ia haver despedimentos. Por ter sido reconhecido o vínculo de emprego público não há despedimentos e os trabalhadores não seleccionados transitarão para o regime de mobilidade especial", explica o governante, assegurando que o "todo o processo foi feito pensando na salvaguarda dos postos de trabalho e do ´know-how´" da empresa.

Dos 1.150 trabalhadores que integram os quadros actuais do Arsenal do Alfeite, 950 permanecem na nova empresa, na Marinha ou em departamentos do Ministério da Defesa e "110 ou 120" passam para o regime de mobilidade especial, calculou João Mira Gomes.

"Quando o arsenal arrancar amanhã [terça-feira] como sociedade anónima teremos uma sociedade bem estruturada, trabalhadores com melhores condições do que tinham e com uma perspectiva económica e de desenvolvimento mais risonha (...) Todo este processo foi feito pensando na salvaguarda dos postos de trabalho e o know-how para a sua missão prioritária, que se vai manter, de manutenção e reparação da frota da Marinha de Guerra Portuguesa", salientou.

A salvaguarda dos postos de trabalho e das regalias dos trabalhadores, foi um dos pontos mais polémicos no processo de transformação da empresa em sociedade anónima de capitais públicos e motivou mesmo manifestações e paralisações por parte dos trabalhadores.

A partir de terça-feira, com "uma nova organização empresarial", o Arsenal do Alfeite SA passa a ser tutelada pela Empordef, a "holding" do Estado de indústrias de Defesa, criando sinergias com outras infra-estruturas como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

E passa também a "ir à procura de outros mercados que não apenas a Marinha de Guerra Portuguesa", concorrendo no mercado da reparação e construção naval.

A mudança na estrutura do arsenal permite ainda encontrar "outras fontes de financiamento" para o investimento necessário no plano técnico e de infra-estruturas - o Estado injectará 30 milhões de euros, a sociedade anónima procurará no mercado financeiro 35 a 36 milhões adicionais.

"São investimentos que não podiam ser feitos enquanto não fosse uma SA", assegurou o secretário de Estado da Defesa.

João Mira Gomes esclareceu ainda que o Estado não terá qualquer intervenção quanto a novas encomendas fora do quadro da manutenção da esquadra da Armada - que permanecerá como "o elemento essencial" da missão da nova empresa.

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