Distribuidoras contra redução da margem de lucro imposta pela Tabaqueira

As empresas distribuidoras de cigarros repudiaram hoje a redução da sua margem de lucro que a Tabaqueira lhes pretende impôr a partir de quarta-feira e apelaram à intervenção do poder político.

Actualmente as empresas grossistas de tabaco têm uma margem de lucro de 8,62 por cento, contratualizada em 2005, que é majorada com 0,29 por cento nos casos de pronto pagamento, mas a tabaqueira quer passar a margem de lucro para 7,11 por cento.

"Não podemos aceitar esta redução para os 7,11 por cento e a retirada da bonificação para o pronto pagamento pois isto põe em causa a sobrevivência das nossas empresas", disse à agência Lusa Helena Batista, presidente da Associação Portuguesa de Armazenistas de Tabaco (APAT).

A APAT, juntamente com a Associação Nacional de Grossistas de Tabaco e a Associação de Grossistas de Tabaco do Sul, promoveram hoje uma reunião de empresas do sector, em Lisboa, para discutirem as novas condições contratuais que a Tabaqueira SA/Phillip Morris Internacional pretende aplicar a partir de quarta-feira.

Segundo Helena Batista, a Tabaqueira pretende também que os pagamentos passem a ser feitos por transferência bancária com confirmação, o que implica o pagamento de uma taxa de 30 euros ao Banco de Portugal sempre que o montante for superior a 100 mil euros.

"Nós não aguentamos esta redução da margem de lucro, pois damos aos vendedores a retalho, dos quiosques, cafés e restaurantes, uma margem de lucro entre 6 e 6,5 por cento", disse a presidente da APAT, acrescentando poder estar em causa a sobrevivência das cerca de 100 empresas do sector, onde trabalham cerca de 2.000 pessoas.

As associações de empresas de distribuição de tabaco enviaram na semana passada cartas ao primeiro-ministro e ao ministro da Economia, à comissão parlamentar de Economia e à Autoridade da Concorrência a denunciar a situação.

"Só nos resta esperar que alguém trave a prepotência da Phillip Morris", afirmou Helena Batista.

A presidente da APAT reconheceu à Lusa que os empresários do sector, apesar de repudiarem a quebra da margem de lucro, vão ter de continuar a comprar os cigarros à Tabaqueira, pois é esta empresa que lhes fornece 80 por cento do tabaco, dado que detém as marcas mais procuradas no mercado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG