Controlinveste emite obrigações garantidas por acções da PT

Em duas horas, colocaram-se 224 milhões de euros. Prémio sobre acção PT é de 35%.

A Controlinveste emitiu e colocou ontem dívida convertível em acções da Portugal Telecom (PT). Tratou-se de uma emissão de obrigações, de 224 milhões de euros, que os subscritores poderão trocar por acções da operadora de telecomunicações ao fim de cinco anos, se a opção do emitente for pelo não pagamento. As obrigações são convertíveis em cerca de 20,42 milhões de títulos da PT, que correspondem à totalidade da posição que o grupo detém na empresa liderada por Zeinal Bava, ou seja, 2,17%.

A emissão, apresentada ao mercado ontem de manhã, integrava um prémio cujo intervalo se situava entre os 30 e os 35% face ao valor das acções da PT, durante o período considerado para o apuramento deste cálculo.

No final, face à forte procura dos títulos - 10 vezes mais que a oferta -, o prémio fixou-se no intervalo máximo (35%), com o preço final nos 10,97 euros. Como a formação do preço foi através de bookbuilding (recolha de intenções de compra, quantidades e valores, de forma a determinar o preço), o cupão anual a pagar pela Controlinveste ficou nos 3%, abaixo do intervalo predeterminado.

"A operação foi um sucesso, com o book aberto apenas por duas horas", referiu ao DN o vice--presidente do grupo, Rolando Oliveira. E acrescentou: "Alcançámos os nossos objectivos, diversificando as nossas fontes de financiamento, com uma maturidade larga e com um juro fixo muito favorável."

A emissão, garantida por uma sucursal do Banco Comercial Português, foi colocada pelo próprio BCP e pelo Crédit Suisse Securities, essencialmente junto de investidores institucionais, mais de 95% dos quais estrangeiros, como adiantou ainda Rolando Oliveira.

"As condições de financiamento hoje [ontem] conseguidas e a procura demonstrada pelos investidores, numa altura em que ainda impera a incerteza nos mercados financeiros, demonstra a confiança de um conjunto de investidores internacionais no grupo Controlinveste", sublinha a empresa, num comunicado emitido ontem à tarde.

Rolando Oliveira explicou a opção por uma emissão desta natureza com o facto de apresentar como garantia "um activo do nosso balanço, muito importante para nós, que transforma a operação num instrumento muito completo".

Por outro lado, este tipo de dívida é muito procurada nesta altura do ano, quando os investidores institucionais estão a formar as suas carteiras de fundos de investimento.

Quanto à finalidade do encaixe, refira-se que esta emissão se destina sobretudo ao refinanciamento de outras operações de dívida.

A liquidação financeira das obrigações ocorrerá no próximo dia 28 deste mês e os títulos deverão ser admitidos à negociação na Frankfurt Stock Exchange, em mercado aberto.

Esta foi a primeira operação deste grupo português de media nos mercados financeiros internacionais, com estas características, feita através da Controlinveste International Finance. Trata-se de uma emissão obrigacionista pouco frequente neste sector de actividade.

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