Casas em leilão aumentam 30%

As duas leiloeiras venderam cerca 2600 casas no ano passado. Particulares e construtores também recorrem.

A compra de casas em leilão não pára de aumentar. No ano passado, os portugueses adquiriram cerca de 2600 imóveis com recurso às leiloeiras, um aumento de 30% face às que foram vendidas no total de 2009, ano em que foram arrematadas cerca de duas mil.

Mas o agravamento no incumprimento do crédito não está a levar apenas os bancos a recorrer cada vez mais a esta forma de venda de imóveis para escoar as casas que lhes ficam nas mãos e que pertenciam a particulares que deixam de pagar as prestações.

Os leilões do ano passado conheceram novos protagonistas: construtores e promotores imobiliários e particulares. Como referiu ao DN Ana Luísa Ferro, directora comercial da Luso-Roux, uma das duas leiloeiras a actuarem no mercado imobiliário, cada vez mais são colocadas em leilão casas novas de construtores que não as conseguem vender, bem como de particulares que procuram assim antecipar-se à execução da hipoteca ou vender pura e simplesmente imóveis para fazer face à crise. "Realizamos por ano um ou dois leilões multimarca, com casas de outras entidades, aos quais se juntam também os bancos mais pequenos", adiantou.

As duas leiloeiras existentes no mercado Luso-Roux e Euro Estates realizaram, em conjunto, 62 leilões no ano passado, levando à praça cerca de quatro mil imóveis, com uma percentagem de venda que se situou em torno dos 65 a 70% por leilão.

O valor total das vendas terá rondado os 150 milhões de euros. Ana Luísa Ferro avançou que a sua empresa realizou vendas no valor de 75 milhões de euros, para um total de bens em licitação no valor de 107 milhões de euros.

A Euro Estates disponibiliza outros números. O seu director comercial, Diogo Livério, revelou ao DN que os imóveis levados a leilão apresentavam um valor total em torno dos 90 milhões de euros, com as vendas realizadas a apresentarem valorizações médias em torno dos 16%. Também a Euro Estates adianta que em 2010 se verificou "a entrada de novos clientes/fornecedores" de imóveis.

Para o corrente ano, a perspectiva das duas leiloeiras é de manutenção destes elevados níveis de crescimento. "Associadas aos leilões existem condições excepcionais de crédito que, com as dificuldades acrescidas na obtenção do mesmo, têm potenciado as vendas", refere Diogo Livério.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG