Basílio sugere que BPN ajude nas exportações

O Banco Português de Negócios (BPN) ou uma qualquer seguradora da Caixa Geral de Depósitos (CGD) devia especializar-se em seguros de crédito, ajudando assim os exportadores a enfrentarem as fortes oscilações cambiais esperadas em muitos dos mercados emergentes nos quais os exportadores portugueses estão agora a aventurar-se.

Para uma empresa portuguesa que venda fora da Europa, um seguro de crédito é uma forma de cobrir (anular) o risco de oscilação das moedas face ao euro. Serviria para garantir que o produto vendido é pago a tempo e horas e pelo preço combinado. A proposta de criação de uma grande entidade que coordenasse esses seguros a partir dos restos do BPN ou de uma seguradora da CGD foi ontem avançada pelo presidente da AICEP. Diz Basílio Horta: "O que ouço de algumas associações [empresariais], e que partilho muito [...], é que devíamos ter uma especialização no financiamento e no seguro de crédito à internacionalização." Não querendo comprometer o Governo com esta posição, o economista observou que "há tanta companhia de seguros por aí, a CGD tem tantas, que podia uma delas especializar-se também e concorrer com a Cosec". "E isto não implicava aumento de custos." Ou então, continuou, "bastava aproveitar o BPN, alguma da sua estrutura, mudar-lhe o nome, pô-lo saudável e a funcionar juntamente com a Caixa e os outros bancos".

O líder da AICEP lembra que "ninguém vai para novos mercados sem seguros de crédito". E que este produto "não é fácil de obter para mercados que não se conhecem". "Essa instituição financeira era para ser lucrativa. Não para fazer dumping ou favores."

Segundo Basílio Horta, as linhas de capital de risco patrocinadas pelo Estado que hoje existem dispersas valem mais de sete mil milhões de euros. Podia ser este o valor do fundo anti-risco das exportações.

Para além das convulsões políticas, um dos maiores imprevistos que um exportador europeu pode enfrentar é o risco de câmbio. A ameaça é real e crescente, avisou esta semana Dominique Kahn, director executivo do FMI.

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