Analistas consideram positivas vendas da Prisa, mas notam que estão abaixo do valor

Analistas espanhóis manifestaram-se hoje divididos em torno dos dois acordos de venda de activos da Prisa, considerando serem positivas por reduzirem a dívida, mas negativas por estarem abaixo do seu valor.

Na segunda-feira, a Prisa anunciou acordos para a venda de 35 por cento da Media Capital à Ongoing e para a venda de 25 por cento do grupo editorial Santillana a um fundo de investimento.

A concretizarem-se - no caso da Media Capital, ainda são necessárias autorizações dos reguladores -, as vendas representariam uma injecção de capital de cerca de 404 milhões de euros (247 milhões de euros pelos 25 por cento da Santilla - avaliada em cerca de 1.000 milhões de euros - e 157,5 milhões de euros pelos 35 por cento da Media Capital).

Tanto os analistas da Ahorro Corporación como os do Banesto consideram as vendas positivas pelo impacto que terão no abatimento da dívida actual da Prisa, que ronda os 5.000 milhões de euros. No entanto, ambos sublinham que os valores dos acordos de venda estão abaixo do valor dos activos, especialmente no caso da editorial Santillana, um dos braços mais importantes do grupo Prisa.

"A venda da participação na Santilla implica uma avaliação do grupo em cerca de mil milhões de euros, ligeiramente abaixo da nossa avaliação de 1.100 milhões. No caso da Media Capital, a avaliação está em linha com a nossa", refere o Ahorro Corporación.

No caso do Banesto, as vendas são positivas pelo impacto na dívida mas o seu valor fica aquém do estimado pela entidade.

Em curso continuam ainda negociações para eventuais operações adicionais, a mais importante das quais se relaciona com a venda de 40 por cento da Digital Plus, a plataforma de televisão paga da Prisa.

O mercado tem ouvido rumores que referiam que a Telefonica poderá comprar 20 por cento da Digital Plus, e que os restantes 20 por cento podem ser adquiridos pelo grupo Vivendi, ainda que por valores abaixo dos 2.500 milhões de euros pelos quais a Prisa avalia esta plataforma.

Nas últimas semanas, fontes da Prisa citadas pelo jornal online El Confidencial referem que a empresa necessitava de uma injecção de capital de, pelo menos, 300 milhões de euros até Outubro para responder à pressão financeira dos bancos que concederam à empresa um adiamento nos empréstimos actuais.

Recorde-se que os bancos credores da Prisa concederam em Maio um empréstimo-ponte de 1.950 milhões de euros, que vence em Março de 2010, com "duras condições" que a empresa de comunicação espanhola terá que cumprir.

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