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O que faria com o Euromilhões? E com um aumento salarial? 

Em conversas de amigos, por vezes, surge a pergunta: "o que farias se te saísse o Euromilhões?" As respostas são do mais divertido que há. Este verão um dos amigos respondeu apenas: "já ficaria feliz se o meu salário aumentasse, porque está congelado há mais de uma dúzia de anos". Esta é uma realidade que afeta uma grande fatia dos portugueses. Primeiro foi a grande crise financeira, depois a troika, a seguir o défice e agora a pandemia. Quando voltarão os portugueses a recuperar o seu poder de compra?

Desconfinar. À vontade não é à vontadinha! 

Olhos colados às televisões e aos sites e ouvidos bem abertos. Os portugueses esperavam a comunicação da "libertação total" na sequência da reunião do Infarmed, ontem à tarde, mas ainda não foi desta. Mais vale prevenir do que cantar vitória antes do tempo certo. O encontro, em que Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e governo ouviram os especialistas da área saúde, deixou antever um novo alívio das medidas restritivas da pandemia, mas de forma leve. Antes do encontro, Marcelo Rebelo de Sousa disse que já passaram os tempos em que entrava naquela reunião com o "coração pequenino", mas pediu "serenidade". Não vem aí a liberdade completa, mas a terceira fase de desconfinamento.

A poção de Ursula para puxar pela Europa 

Ursula von der Leyen reforçou o seu papel como uma das grandes líderes da Europa, além de Angela Merkel, claro. No seu discurso sobre o estado da Europa, proferido ontem, traçou metas ambiciosas a atingir no combate à pandemia, no avanço da vacinação e enalteceu ainda a importância da criação de uma entidade europeia que irá trabalhar na prevenção e resposta a crises pandémicas futuras. A presidente da Comissão Europeia acredita que com a existência do certificado digital e o entendimento entre os Estados membros, tudo ficará mais fácil em termos de política de coordenação global da área da saúde para os anos vindouros.

Sem afetos, esta é a campanha mais desafiante para os autarcas

A campanha eleitoral para as autárquicas já é oficial. Ditam as regras que o primeiro dia foi ontem. Mas há muito que vemos nas ruas os candidatos a tentar convencer a população com os seus argumentos e propostas. Na capital, as sondagens dão vitória a Fernando Medina, ainda que tenha vindo a esbater-se a distância entre Medina, da coligação Mais Lisboa, que junta o PS e o Livre, e Carlos Moedas, cabeça de lista da coligação Novos Tempos, que junta cinco forças políticas: PSD, CDS, PPM, MPT e Aliança.

O Presidente emotivo que detonou a bomba atómica

Jorge Sampaio, aparentemente discreto e francamente emocional, tinha a capacidade de se adaptar às circunstâncias e de ser capaz de as superar. Desta vez, a sua adaptabilidade, coragem e resiliência sucumbiram a problemas respiratórios. Morreu ontem aos 81 anos. O antigo Presidente da República tinha a ousadia de dar resposta inesperadas a perguntas incómodas. As suas palavras eram assertivas, mesmo quando já estava muito debilitado, como numa ocasião recente em que estivemos juntos e em que discursou no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian. Terá sido um dos seus últimos discursos. Todas as suas palestras eram longas e esta foi mais uma. Alguns até o consideravam aborrecido ou cansativo, mas cada alocução tinha grande conteúdo, recados e emoção, ainda que nas entrelinhas. Uma intervenção política compreendia também notas que íam desde a literatura à filosofia, entre outras áreas de conhecimento que apreciava.

Aljubarrota, as lições de estratégia e gestão dos recursos

A 14 de agosto de 1385, Aljubarrota foi o palco de uma batalha decisiva para a independência e a construção de um novo Portugal. A 14 de agosto de 2021, é muito oportuno refletir sobre o que nos ensina este confronto militar que opôs portugueses e ingleses a castelhanos e franceses (e vários nobres lusitanos que defenderam o lado de Castela), numa disputa pelo trono português, após a morte de D. Fernando, o último rei da dinastia afonsina.

Verão com sabor amargo

Nem os campeões estão a salvo da pandemia. O camisola amarela na Volta a Portugal, Daniel Freitas, foi forçado a abandonar a corrida, após novo caso de covid-19 na sua equipa. Antes do início da quinta etapa, já João Benta e Tiago Machado tinham sido afastados da Volta, por estarem infetados com o novo coronavírus. Freitas tinha ganho a amarela na quinta etapa da prova, que liderava com uns bons 42 segundos de vantagem sobre Alejandro Marque. Tem um sabor amargo para o português deixar a prova rainha do ciclismo nacional por causa do coronavírus, mas nem os grandes atletas e vencedores estão protegidos, mesmo ao ar livre.

Deixar-se intimidar ou desistir não é opção

Allyson Felix pagou o preço de cumprir um sonho: ser mãe. A velocista olímpica, com 35 anos, alcançou em Tóquio a décima e a décima primeira medalhas, tornando-se na mais medalhada atleta feminina nos Jogos. Nem tudo foram rosas no caminho do êxito. Em 2018, Allyson viu a Nike querer cortar-lhe 70% do rendimento por ter sido mãe. Mas não se ficou. Além de juntar a sua voz ao coro de críticas à marca desportiva norte-americana, respondeu à antiga insígnia patrocinadora, assinando pela Athleta.

Clima: "alerta vermelho" da ONU é para levar a sério

Quase 20 anos depois, o mesmo homem que, enquanto primeiro-ministro, inaugurou a barragem de Alqueva, no Alentejo, vem agora, como secretário-geral das Nações Unidas, alertar para a gravidade das alterações climáticas. O grande lago nasceu em fevereiro de 2002, encerrando um ciclo de espera de cerca de 50 anos em resposta aos célebres cartazes "Construam-me, porra!". O empreendimento de Alqueva começou a ser imaginado ainda em pleno Estado Novo. Alimentou sonhos das populações locais, expectativas aos autarcas e preocupações aos ambientalistas. O enchimento da albufeira só pecou por ser tardio. As alterações climáticas já se adivinhavam e, sem água, o nosso imenso Alentejo já estaria mais desertificado e improdutivo.

Retalhos de contradições

O início da libertação total da pandemia e das suas medidas restritivas, anunciado nesta semana após mais um Conselho de Ministros, deverá trazer um novo fôlego à economia. E, já agora, também ao Partido Socialista, que a poucos meses das eleições autárquicas vê a sua popularidade voltar a subir. Mas voltemos à economia. O verão já deveria ter reanimado o tecido empresarial, uma vez que trouxe consigo uma vontade de desconfinamento; porém, os sinais emitidos pela economia continuam a ser contraditórios. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e a estimativa rápida divulgada ontem, a economia portuguesa cresceu a dois dígitos entre abril e junho, com uma aceleração homóloga de 15,5%, representando o maior crescimento trimestral desde 1996. A explicar esta evolução estão "as restrições sobre a atividade económica em consequência da pandemia que se fizeram sentir de forma mais intensa nos primeiros dois meses do segundo trimestre de 2020, conduzindo a uma contração sem precedente da atividade económica", pormenoriza o INE. Contudo, logo no mês seguinte, a atividade económica voltou a fraquejar (mais precisamente, na terceira semana de julho), acompanhando o alargamento de um maior confinamento a mais concelhos do continente; segundo dados do Banco de Portugal (BdP). Por essa altura, o governo colocou no nível de risco elevado e muito elevado 116 concelhos, ou seja, mais 26 do que na semana anterior. Assim, depois da recuperação logo a seguir ao fim do segundo confinamento geral, em meados de março, o indicador diário DEI (lançado recentemente pelo BdP para identificar facilmente alterações abruptas na atividade económica) tem apresentado sucessivas oscilações, com avanços e recuos. Na semana terminada a 25 de julho, registou-se uma queda homóloga de 0,6%, que compara com uma variação nula uma semana antes, a 18 de julho.

A ilusão da liberdade de que o país precisa

Regras iguais para todo o país e um plano de recuperação da liberdade em três fases. É com estas diretrizes, anunciadas pelo primeiro-ministro ontem à tarde, que os portugueses vão organizar as suas vidas no verão. Marcelo Rebelo de Sousa já tinha falado, nesta quarta-feira, numa nova narrativa e de um certo alívio das restrições. E ontem António Costa garantiu que há uma "total convergência entre o governo e o Presidente da República", afastando rumores de um certo distanciamento crescente entre as duas figuras de Estado. Mais disse: "Eu nunca me considero um otimista irritante, muito menos o Presidente da República alguma vez pode ser considerado dessa forma. O que senti nas palavras do Presidente da República foi uma confiança acrescida na forma como a pandemia tem sido controlada, como tem corrido o processo de vacinação e como estamos em condições de dar este passo em direção à retoma."

Enfrentar as gigantes, sem medos!

Na Europa, a comissária Margrethe Vestager tem sido o rosto do combate à hegemonia das grandes tecnológicas. Com coragem, determinação e medidas de punição, a comissária da Concorrência tem dado o corpo às balas em defesa dos direitos de autor, liberdade de informação, justiça fiscal e combate a monopólios e duopólios. Já veio, aliás, a Portugal falar disso e mais do que uma vez, numa delas foi oradora no palco da Web Summit, onde explicou, precisamente, porque o paradigma deve mudar.