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Um português, um marroquino e um inglês de férias no Brasil

Todos temos um amigo bronzeado, mesmo no inverno. Mantém aquela cor acastanhada, sem apanhar sol, sem sair de casa, até nos dias de chuva. Acha sempre que está a ficar branco, a perder tudo o que ganhou no verão ou numa esplanada no fim de semana. Na verdade vai mesmo ficando mais claro, mas, quando aparecem uns raios de sol, o André rapidamente recupera o seu lado mais marroquino, só de ir à rua deitar o lixo ou ao café. É suficiente. Também é raro pôr protetor solar, "não preciso". Escaldão? "Nem me lembro do último."

O melhor surfista da minha praia

Eu não deveria ter mais do que uns cinco palmos de altura. Punha as braçadeiras e debaixo do braço encaixava a prancha - uma de plástico, comprada no supermercado a caminho da praia. Antes de entrar no mar, olhava atentamente as ondas a rebentar até ganhar coragem de enfrentá-las. Já com água pelos joelhos, deixava passar as vagas mais pequenas e esperava pelas espumas maiores. Deslizava em cada uma sem deixar dúvidas de que era o melhor surfista da minha praia. Não havia muitos mais, é verdade. Mas também nem todos se atreviam àquela aventura.