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Esperto, ágil e perspicaz é como chamam ao Rato, nome de um ano de grandes desafios

"Em termos de signos, o Rato é considerado esperto, ágil e perspicaz, de fácil adaptação às circunstâncias e acumulação de riqueza", explica a professora Wang Suoying, chinesa a viver em Portugal há três décadas e fluente na nossa língua. Ora, é o ano do Rato que se inicia neste sábado, 25 de janeiro, com celebrações em toda a área cultural chinesa, de Pequim a Taipé, passando por Singapura ou a diáspora espalhada pelo mundo e ainda por boa parte do resto da Ásia Oriental. Em Portugal, a comunidade chinesa fez o essencial da festa pública no fim de semana passado, com um desfile em Lisboa, porque agora é tempo para a parte íntima, familiar, das celebrações.

A dívida de Portugal com os judeus começa a ser paga

Faz 200 anos que a família Bensaúde começou a dar nas vistas nos Açores, judeus sefarditas oriundos de Marrocos que, possuidores de passaporte britânico, regressaram a Portugal, terra dos antepassados. Fizeram fortuna nos negócios, deram elites ao país, um dos seus descendentes, Jorge Sampaio, chegou a ser Presidente da República ainda não há muito tempo. Curiosamente, a reconciliação de Portugal com os judeus expulsos e perseguidos depois do édito de 1496 assinado por D. Manuel I foi feita não por Sampaio (de mãe e avó judias), mas pelo seu antecessor, Mário Soares, que em 1989 pediu perdão pelas atrocidades da Inquisição, a qual, sublinhe-se, só foi extinta em 1821, já Abraão, Elias e Salomão Bensaúde (dois irmãos e um primo) viviam por cá.

O caos pós-Kadhafi, como o caos pós-Saddam

Entre os ditadores derrubados pela Primavera Árabe de 2011, o líbio Muammar Kadhafi foi o que teve o destino mais trágico: nem o exílio, como o tunisino Ben Ali, nem a prisão, como o egípcio Hosni Mubarak. Teve um fim bem mais parecido com o do líder iraquiano Saddam Hussein, derrotado, capturado e executado quase uma década antes. A revolta contra Kadhafi acabou em morte, por linchamento, e com os derradeiros momentos filmados por telemóveis. O rosto tanto de estupefação como de horror do governante líbio impressionava quem quer que visse as imagens e estas foram transmitidas pelas televisões do mundo inteiro. Também a morte de Saddam foi filmada.

A batalha entre América e Irão pelo Iraque começou em 2003 com Bush filho

Faz agora 17 anos, estava em Bagdad à espera da invasão americana do Iraque. Com os movimentos controlados ao pormenor - até o telefone satélite do DN estava obrigado 24 horas sobre 24 a ser hóspede do Ministério da Informação e pagando cem dólares por dia - aproveitei uma cerimónia no Monumento ao Soldado Desconhecido para ter acesso às principais figuras do regime iraquiano. Saddam não apareceu, mas uma limusina com o número dois do Partido Baas só parou quase em cima do disco enorme que junto com as espadas gigantes do Arco da Vitória era dos mais originais edifícios da capital do Iraque. Passagem em revista às tropas, cumprimentos de despedida aos poucos embaixadores que ainda não tinham partido (estávamos no início de janeiro de 2003, as bombas chegariam a 20 de março) e Al-Douri entra num carro, não aquele em que chegou, mas outro, o terceiro da fila, de linhas bem mais discretas. Poucos meses antes, no Iémen, um chefe local da Al-Qaeda tinha-se transformado na primeira figura eliminada por um drone dos Estados Unidos, tecnologia agora na moda, mas com as primeiras experiências de combate a datar da Segunda Guerra Mundial. Al-Douri saberia?

Labour, SPD e PS francês: recordes só pela negativa

O que têm em comum o Partido Trabalhista britânico, o SPD alemão e o PSF? Tirando o óbvio de pertencerem todos à mesma família política de centro-esquerda europeia - em que trabalhismo, socialismo e social-democracia se misturam na bamcada prlamentarv em Estrasburgo -, aquilo que os une nos últimos anos é a derrocada eleitoral a permitir títulos bombásticos aos jornais: "O pior resultado trabalhista desde 1935 nas legislativas britânicas", "candidato socialista falha passagem à segunda volta das presidenciais", "SPD com menos votos do que os verdes nas eleições europeias".