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Primeiro negro de Nova Iorque era português e primeiro hispânico também

Encontros e Encontrões de Portugal no Mundo, editado pela Desassossego, fala de figuras, umas bastante célebres outras nem por isso, que deixaram marcas em dezenas de países. Da autoria de Leonídio Paulo Ferreira, subdiretor do DN, o livro está cheio de histórias curiosas em que portugueses, a bem ou a mal, se fizeram notar noutras paragens. O caso de Jan Rodrigues, que foi contado em primeira mão numa reportagem no jornal em 2016, é um bom exemplo do que contém o livro e por isso merece destaque nesta pré-publicação.

Nuclear: quem tem, quem deixou de ter e quem quer

Guerrilha comunista na Grécia, bloqueio soviético de Berlim Ocidental ou Guerra da Coreia são alguns dos acontecimentos possíveis para datar o início da Guerra Fria, que alguns até fazem remontar à partilha da Europa em esferas de influência por Churchill e Estaline ainda o nazismo não tinha sido derrotado. Mas talvez 29 de agosto de 1949, faz agora 70 anos, seja a melhor opção, afinal nesse dia a União Soviética fez explodir a sua primeira bomba atómica e o monopólio da arma pelos Estados Unidos desapareceu. Sim, foi o teste em Semipalatinsk que estabeleceu o tal equilíbrio do terror, primeiro atómico e depois nuclear, que obrigou as duas superpotências a desistirem de uma Guerra Quente.

Hong Kong prova de fogo obrigatória de ganhar para Xi

Primazia do Partido Comunista, defesa da unidade nacional, prosperidade económica. São estas as três grandes prioridades da liderança chinesa, por esta ordem decrescente, e a solução vinda de Pequim para acabar com os protestos em Hong Kong passará pelo peso que cada uma tiver na decisão final de Xi Jinping. Sim, de Xi, porque os protestos, os abaixo-assinados e as greves na antiga colónia britânica transformaram-se rapidamente da recusa de uma lei de extradição para a China continental em desafio aberto ao próprio presidente da república e secretário-geral do PC, o mais poderoso desde Mao Tsé-tung. E isto a poucas semanas das celebrações dos 70 anos do triunfo da revolução comunista, a 1 de outubro.

Italianos, também heróis do mar

D. Fuas Roupinho, que destruiu uma frota muçulmana ainda no tempo de Afonso Henriques, é o nosso primeiro herói do mar, muito antes de Gil Eanes, Bartolomeu Dias ou Vasco da Gama. Mas é justo dizer que a marinha portuguesa só nasceu verdadeiramente quando D. Dinis chamou o genovês Manuel de Pessanha para transformar a vocação marítima do país num destino como nação. E a partir daí, 1317, durante pelo menos dois séculos, italianos e luso-italianos vários continuaram a nos ajudar a dominar os oceanos, nomes como Bartolomeu Perestrelo (filho de um tal Filippo Pallastrelli) ou António Noli, também o grande Americo Vespúcio, que deu nome ao continente que outro italiano, Cristóvão Colombo, descobrira em 1492 pensando ter chegado à Ásia navegando para Ocidente (foi Fernão de Magalhães quem finalmente o conseguiu, também ao serviço da coroa espanhola).

Como é que se diz ingratos em grego?*

Há muitas explicações para a derrota eleitoral do Syriza. Vão desde o acordo sobre o nome da Macedónia do Norte até à má gestão do combate aos mortíferos fogos de 2018, passando pelas acusações de ter prometido resistir à União Europeia e no final acabar por negociar com esta um terceiro resgate à Grécia. Mas, na realidade, a Alexis Tsipras o eleitorado fez pagar o ter sido o rosto da austeridade, necessária mas brutal num país que é mais pobre do que durante anos as estatísticas nacionais fizeram crer. E Kyriakos Mitsotakis surge como o rosto da esperança, um político em teoria sem culpas na crise, se bem que o mesmo não se pode dizer da Nova Democracia, que ganhou com cerca de 40% e que graças ao bónus de deputados para o vencedor deverá ter maioria absoluta.