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Proibir os carros para acabar com os acidentes

Mais de 300 mil acidentes de carro fizeram na última década meio milhão de feridos - grande parte deles em estado grave e com consequências para a vida - e milhares de mortos nas estradas portuguesas. São números negros que as associações que lutam pela segurança rodoviária realçam ano após ano, pedindo esforços adicionais na legislação, na fiscalização, na manutenção das vias e sinalética, na atenção das autoridades e até a colaboração dos construtores automóveis. E com efeitos crescentemente eficazes, porque aprendidos e incorporados na realidade - do uso do cinto de segurança aos airbags. O que nunca lhes passou pela cabeça foi pedir que se proibisse a circulação de veículos motorizados. Todos temos consciência de que seria medida artificial e de efeitos limitados ao tempo dessa proibição, um paliativo de efeito pífio que apenas poderia justificar-se enquanto resposta a uma situação urgentíssima, muito bem demarcada e limitada no tempo e no espaço - até mesmo pelo que implicaria de agressão a liberdades individuais.

Se o Constitucional de Berlim desligar a ficha

Lei é lei", dizia há dias António Costa, a acompanhar o envio para o Tribunal Constitucional de três diplomas aprovados contra o governo por toda a Assembleia, menos o PS, e promulgados pelo Presidente da República. Justificava Marcelo, ele próprio constitucionalista, que os tempos de absoluta exceção poderiam permitir fechar os olhos por um momento a uma norma inscrita na Lei Fundamental em nome da estabilidade governativa e da gestão orçamental, numa época em que seria inimaginável vivermos uma pandemia como esta.

Saúde, mas pouca

"Apelámos aos médicos e 6800 disponibilizaram-se para ajudar o Serviço Nacional de Saúde, uma percentagem significativa de reformados e alguns disponíveis para apoiar sem receber", relata Miguel Guimarães, em entrevista ao DN. Explica depois o bastonário que, em mais um momento revelador do que tem sido a atitude da ministra da Saúde, em plena pandemia de covid. De uma ministra que consegue, apesar de todos os solavancos, atrasos e casos, fazer "um balanço muito positivo da campanha de vacinação" em Portugal.

Saber gerir a crise

Três meses depois - e com milhares de pessoas a ficar para trás -, percebeu-se que é preciso simplificar e começar a vacinar pelos mais velhos, em vez de o fazer aos soluços, conforme se vai lembrando que existem pessoas expostas ao risco por toda a parte. Os responsáveis foram obrigados a ver que a vontade de proteger quem mais se expõe é subjetiva e injusta. Subjetiva, porque não se vê ninguém clamar, por exemplo, pela inoculação urgente dos funcionários do supermercado, que sempre garantiram que os portugueses - quantos deles infetados? - podiam continuar a comprar comida. Injusta porque desadequada da realidade da doença: quanto mais novas faixas se acrescentavam (governantes, doenças associadas, classes profissionais como os professores, etc.), mais para trás ficavam os velhinhos, que mereciam e precisavam de proteção urgente. Se o método dos SMS não estava a resultar, havia que detetar o erro e emendá-lo com rapidez.