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Aumentos no OE2023? Só se for nos impostos

Imune às tentativas do BCE de recuperar o controlo sobre a fera, a inflação mantém firme o ritmo de escalada, encaminhando-nos a passos largos para o buraco. O Eurostat revelava ontem os números do terror, que já quase dobram a esquina dos 9% na zona euro, mais de quatro vezes acima da fasquia de 2% que se aceita como limite do estado de saúde da região. Pondo os 27 do bolo europeu na balança, o monstro cresce ainda mais um ponto, para os 9,8%.

E ao sétimo dia, Medina falou. E nada disse

Ou seja, depois de uma semana de silêncio absoluto, vem Fernando Medina de coração partido comentar em palavras curtas a renúncia do consultor imprescindível à sua missão nas Finanças. Sem explicações, arrependimentos ou pedidos de desculpa, que o que Medina decide é lei e ai de quem se atreva a contrariá-lo (se não acredita, passe os olhos pelos vídeos das reuniões de câmara dos tempos em que Lisboa estava às ordens do atual ministro das Finanças).

Quem se mete com o PS, leva

"É melhor perguntar porque é que, durante a campanha eleitoral, a própria CAP aconselhou os eleitores a não votar no Partido Socialista." Foi esta a forma que a ministra da Agricultura considerou adequada para responder a quem a questionava sobre a não concretização dos apoios previstos, sucessivamente anunciados e nunca chegados ao setor agrícola. Ajudas adiadas desde o início do ano, sem explicações ou grandes demonstrações de preocupação relativamente à miséria que está a chegar à vida dos agricultores, entre os efeitos da guerra, da inflação e da seca no país.

Não é o diabo, é o inverno do OE que aí vem

Vem aí o inverno. Coisa rara para se dizer em agosto, vaticínio de má sorte quando o país está a banhos, mas que representa uma verdade dura e crua. É sombrio o que está ao virar da esquina dos próximos meses. Não é o diabo, é o inverno. Mais escuro e mais frio do que nunca, conforme a perda de poder de compra contagia e se intensifica por toda a Europa - com gravidade acrescida nos países mais frágeis, como Portugal -, mas também por consequência dos cortes energéticos que Bruxelas impõe a todos, para depender menos do gás russo e apressar a transformação energética. Custe o que custar, é o lema. E vai custar, vamos sofrer, admitem os responsáveis europeus, antecipando a necessidade de desligar as máquinas e os aquecimentos, enquanto Moscovo se desenvencilha das novas sanções e vai conquistando destinos alternativos para continuar a amealhar rublos com o seu petróleo e o seu gás.

Boas ideias não chegam

Em 2014, conseguiu-se uma proeza em Portugal: o governo, então com Passos Coelho aos comandos e Miguel Macedo na pasta da Administração Interna, e a autarquia lisboeta, liderada nesses dias por António Costa, puseram-se de acordo para criar um plano que permitisse reforçar estruturas e pôr mais polícias a garantir a segurança das ruas de Lisboa. Pela riqueza das soluções e valor dos objetivos estabelecidos e das ferramentas fabricadas para os atingir, a ideia teve até o mérito de contar com o agrado das estruturas de liderança da PSP e da Polícia Municipal. E depois Portugal voltou ao que é, deixando tudo esquecido na gaveta que transforma as boas ideias em pó.

Depois das férias há mais (do mesmo)?

Do "caos" que afinal são apenas "desafios" aos anúncios do muito que foi feito mas ninguém parece ver, o debate sobre o Estado da Nação mostrou o que se antecipava: há um país cor-de-rosa e o Portugal em que vivem todos os outros. A realidade está fora do Parlamento, no que sentem os portugueses; na forma como as famílias lutam para sobreviver à crise que já chegou, à inflação que lhes roubou o equivalente a pelo menos um salário; no esforço das empresas para fazer negócio, garantir emprego e trazer crescimento ao país.

O tempo da formação no Estado da Nação

Faltam pessoas no mercado do trabalho em Portugal. E entre as que ainda aqui persistem, muitas têm qualificações desfasadas das necessidades de hoje ou estão em funções que vão deixar de ser desempenhadas por mão humana ou simplesmente desaparecer nos próximos tempos. A reconversão e a requalificação de competências é um dos maiores desafios que o país enfrenta numa altura em que as fronteiras nacionais são mais ténues do que nunca no que ao emprego diz respeito, depois de a pandemia ter acelerado brutalmente os processos digitais e materializado as infindáveis possibilidades do trabalho remoto.