Autores

Jardinagem. O lado B de Isabel Alçada

ExclusivoTelemóvel no bolso, auscultadores nos ouvidos e tesoura na mão. É assim que a escritora e ex-ministra da Educação Isabel Alçada junta, muitas vezes, a jardinagem com a criação literária que há décadas partilha com Ana Maria Magalhães. Sobretudo nos tempos de confinamento, em que é à distância que ambas podam as suas histórias. O gosto de Isabel Alçada pela jardinagem, e sobretudo o contacto com as plantas e a terra, começou quando tinha 18 anos, conta. Desde então leu quase tudo o que havia para ler sobre plantas e jardins e já plantou dois de raiz. Atualmente, cuida do seu em sua casa, o que lhe dá um grande gosto e... trabalho. "O jardim é um ser vivo, vai-se alterando e tem exigências. Se não lhe damos o atendimento que ele quer, dispara em várias direções, e quando tentamos intervir, às vezes já pode ser tarde", explica. Seja inverno ou verão, é sobretudo ao fim de semana que dedica mais tempo à jardinagem. Durante a semana menos, mas confessa que não consegue dar uma volta pelo jardim sem levar a sua tesoura para um eventual arranjo.

Bruno Bobone. O lado artístico do executivo

Tem obra feita e algumas exposições no currículo. A pintura é o lado B de Bruno Bobone. Serve-lhe como "escape ao seu lado profissional muito executivo", diz ao DN o presidente do Grupo Pinto Basto e também da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. A pintura surgiu aos 40 anos. "Nessa altura decidi começar a pintar. Nunca o tinha feito antes." Acrescenta um detalhe curioso do seu início artístico. "Recebi no correio a oferta de um estojo para começar a pintar e comprei-o. Achei que era a altura de me lançar." Desde logo percebeu que a intensa vida profissional não lhe deixava tempo para ingressar numa escola de pintura. Assim, juntou-se a outros pintores para aprender e evoluir. Os seus quadros têm uma temática quase dominante: as pessoas. "É o que me fascina", explica. "Às vezes consigo pintar umas paisagens, mas nada é tão entusiasmante como as pessoas, que são a grande obra de Deus." E detalha que, quando se pinta uma pessoa, que tem sentimentos, emoções, preocupações, "não se pinta só o que vemos mas também o que acreditamos ver". Prático e sem rodeios, o também presidente mundial dos empresários cristãos explica que é muito rápido na tomada de decisões para os seus quadros. "Sou focado, decidido e arrisco, e se sair errado, volto a fazer, no fundo é isso também que é a vida de um empresário, o que também tem que ver com a vida de um empresário. A minha ambição é, sobretudo, pintar o melhor possível." Um pintor preferido? "É muito difícil. Tenho muita dificuldade em escolher um pintor, mas o Lucien Freud marcou-me muito. Mas talvez o Caravaggio seja, para mim, o grande nome da pintura.E gosto muito do Churchill que me encanta em muitas áreas , incluindo a pintura. Revejo-me muito na sua maneira de viver."

7 dias, 7 propostas por Tiago Salazar

ExclusivoEstar confinado tem saudáveis benefícios para os leitores omnívoros, o meu caso. Antes do Governo ditar o fecho das livrarias e impedir a compra in loco de livros (uma das muitas interdições absurdas desta pandemia), já tinha feito o avio de exemplares suficientes para um semestre de hibernação. Sou frequentador assíduo de livrarias como a Letra Livre (na Calçada do Combro) ou o alfarrabista Carlos Bobone (na Rua da Misericórdia). Consumo literatura variada e nem sempre as chamadas novidades, pelo que a forma de contornar esta estuporada medida (além de me valer de uma razoável biblioteca pessoal) é encomendar directamente aos mencionados livreiros, ou outros como o Bernardo Trindade, que tratam das remessas postais ou deixam os livros no tapete da entrada, se for o caso. Há séculos, quando desaguei num curso da maestrina Luísa Costa Gomes, era perguntado aos formandos "que tipo de escritor quer ser?". Andava entranhado de Miller e Celine e respondi com apartes de escritor modernista "do real plausível". Estes, a par de Conrad, pareciam-me os mais autênticos e capazes de traduzir o coração das trevas e a esperança da alegria na triste condição dos bípedes. Era como se os livros queimassem e dessem consolo às pupilas gustativas. Gosto de dizer que sou escritor, apenas porque escrevo sobre o que tiver que ser, quando talvez me ajeitasse melhor, e fosse ainda mais feliz, a dar toques numa chincha ou a podar sebes como o Eduardo mãos de tesoura. Escrever ainda é para mim uma festa (da língua e dos sentidos) por isso insisto neste prazer desmedido.

Alice Vieira. Escrever, enviar e receber postais

"Sempre escrevi postais, desde miúda." E anda hoje não há dia que não escreva, envie e receba postais. Ao todo, são mais de nove mil guardados em casa, arrumados pelos países de origem. Na forma, o lado B de Alice Vieira não se afasta muito daquilo que a tornou reconhecida de todos - como escritora e jornalista. Mas a envolvência é diferente. Conta ao DN, onde trabalhou muitos anos, que há cerca de nove descobriu o post crossing, uma plataforma que potencia a troca de correspondência por postais e cartas entre milhares de pessoas em todo o mundo. Desde então, é algo que lhe ocupa parte dos dias. Escreve para todo o mundo - até para países como Sudão do Sul - e guarda quase todos os postais que recebe. "Quando o carteiro vê que não recebo postais, toca à minha porta para saber se estou doente. Por mim os correios nunca irão à falência", diz, divertida, ao telefone. Com a pandemia da covid-19 tem-se resguardado e pouco ou nada sai de casa. Os postais, trocados com novos e velhos correspondentes, têm-lhe animado os dias. O assunto da covid também se alastrou pelas cartas e passou a tema recorrente nos últimos tempos, conta. Embora nunca tivesse conhecido ninguém pessoalmente, tem laços de amizade, de anos, com alguns dos amigos dos postais. "Há meses recebi uma carta do marido de uma amiga dos postais, que estava doente, a informar que ela tinha morrido e que nos seus últimos meses de vida era a nossa troca de postais que mais lhe dava prazer." A par dos postais (no dia em que falamos tinha escrito 50) continua a escrever outras coisas para jornais e revistas. E tem um livro em mãos, que está agora a começar. "Trabalho não me falta. E isso é bom", diz.

7 dias, 7 propostas de Pedro Marques Lopes

Exclusivo1. Podcast Broken Records Podcast semanal Domingo, 31 de janeiro É um podcast feito por quatro pessoas conhecidas e relevantes. Rick Rubin, que é um dos pais do hip hop, que foi produtor dos Beastie Boys e Public Enemy, mas não só, também AC/DC e Metallica; Malcom Gladweel autor de bestsellers e jornalista; Bruce Headlam , editor do The New York Times, e Justin Richmond, produtor e escritor. E os quatro falam com músicos sobre a vida e sobre a música, e outras coisas em geral. Já vai em 103 episódios, e é um podcast semanal, que aconselho vivamente. Escutar podcasts é algo que faço há muito tempo, mas não me considero um ouvinte assíduo, sobretudo se me comparar com pessoas que conheço que passam a vida de headphones a ouvir podcasts. Vou investigando, aliás, este [Broken Records] foi o meu filho mais novo que me aconselhou já há três anos. Não sou um fanático de podcasts mas para além deste que aconselho, oiço as conversas do Sam Harris (autor de cinco bestsellers do The New York Times,) no podcast Making Sense, e subscrevo os do The Guardian e os do The New York Times. Nacionais, há um fantástico, o Agora, agora e mais agora, do Rui Tavares que vale a pena.

Francisco Batel Marques. Da universidade para as vinhas da Bairrada

ExclusivoSão 17 anos a fazer vinhos. E quase o dobro a ensinar na Universidade de Coimbra. Francisco Batel Marques, professor na Faculdade de Farmácia, tem na produção de vinhos o seu lado B. Uma paixão que vem de há muito. "Em casa da minha avó materna fazia-se vinho para consumo próprio. E todo o processo em volta da cultura do vinho apaixona-me desde que me lembro. E gosto da terra, da agricultura." O hiato entre a juventude de memórias na casa dos avós e o início da produção de vinhos, anos mais tarde, é facilmente justificado: "Foi quando tive dinheiro. Trabalhei para tal e é tão simples como isso." Mas enquanto não o conseguiu não esteve parado, foi fazendo a sua rede de informação e ganhando know how, conta, para finalmente fazer "os vinhos de que gosto". É um ponto assente, quase científico, de que não abdica. Quando os vinhos que faz não lhe agradaram não os coloca no mercado. A simplicidade apaixonada do professor Batel Marques pelo seu lado B explica até a escolha da região demarcada da Bairrada para produzir: "A opção deve-se à proximidade geográfica para conseguir conjugar a família, a universidade, e o vinho." Mas não só, explica, "há um paradigma na Bairrada, que é ter como alicerce a casta Baga nos vinhos tranquilos, e não só nos espumantes". Há 17 anos que se dedica à sua Quinta dos Abibes, que existe desde 1792, conforme comprovativo de uma placa no local. Em Coimbra ensina na Faculdade de Farmácia há três décadas e ainda, na sua área de especialidade, colabora com uma instituição de investigação biométrica. Mais do que um mero hobby, o lado B deste professor de Coimbra é um assunto sério. "O objetivo é fazer vinhos do mundo, vinhos que podiam ser apreciados em qualquer região do planeta. Mas quis fazer alguma coisa diferente, senão seria apenas mais um." Palavra de professor!