Autores

A medida de todas as coisas

Na crónica de sábado, no DN, cometi um erro comum de cronista, dar de barato que quem me lia sabia do que eu falava. As consequências são geralmente irritantes para leitor. E o autor, merecidamente, pode levar com carimbo de ridículo. Porém, um erro desses pode ser (é a minha desculpa) por o cronista andar fascinado com algo que o possuiu a ponto de pensar universal o seu encantamento. Acontece que eu lera mais uma entrevista do médico patologista Sobrinho Simões, no jornal i. Como sempre de aprender e chorar por mais.

Racismo, Fátima Bonifácio e o 'Público'

Vai por aí grande polémica sobre um texto da historiadora Maria de Fátima Bonifácio publicado no jornal Público, no sábado. O texto começou por ser sobre quotas para minorias étnicas, mas o essencial dele é ser racista. Parte da discussão fez-se à volta das quotas ou sobre se um texto racista pode ser publicado no Público (hesito, como o diretor do jornal, Manuel Carvalho, quando deu resposta à polémica, no domingo, mas já lá vamos)... Antes de mais, quero precisar o que é substancial: e isso é o texto de Fátima Bonifácio. Ele é racista.

Racismo, Fátima Bonifácio e o Público

Vai por aí grande polémica sobre um texto da historiadora Maria de Fátima Bonifácio publicada no jornal Público, sábado. O texto começou por ser sobre quotas para minorias étnicas, mas o essencial dele é ser racista. Parte da discussão fez-se à volta das quotas ou sobre se um texto racista pode ser publicado no Público (hesito, como o diretor do jornal, Manuel Carvalho, quando deu resposta à polémica, no domingo, mas já lá vamos)... Antes de mais, quero precisar o que é substancial: e isso é o texto de Fátima Bonifácio. Ele é racista.

Ouçam Madonna (e não estou a falar do que canta)

Que lugar certo um mirador desolado e aberto ao mundo, interiores escuros e com graffiti, encandeado pela luz que jorra dos vidros partidos e panorâmicos, que lugar para um ídolo pop universal falar aos homens e mulheres, daqui e d'além-mar! Madonna subiu ao restaurante de Monsanto, abandonado vai para 20 anos, e falou-nos como se da capital do mundo. Dali, ela fez um fascinado, e sem vergonha, documentário sobre Lisboa, a propósito do seu novo álbum, Madame X.

À volta de duas fotos

Na foto, do ano passado, uma imigrante clandestina hondurenha, presa na fronteira do rio Grande, já no Texas, é vasculhada por um guarda com luvas cirúrgicas. Procuro na foto assunto para pensar, porque trazer assuntos do mundo para pensarmos é uma das utilidades das boas fotos. Naquela, as caras de ambos não são vistas, da clandestina e do guarda fronteiriço. Mas às luvas conheço-as das séries policiais científicas. Hoje, as autoridades protegem-se mais e é justo, são servidores públicos. Num bolso de um suspeito pode haver um objeto cortante, sei lá.

Jornal americano proíbe o manguito do Zé Povinho

Vamos pôr a coisa nestes termos: havia a ideia de que se delineava um esboço para perda de liberdades. Não só em Portugal, mas por todas essas sociedades democráticas que, apesar de tudo, são melhores do que as outras. Um esboço do fim do direito à presunção de inocência, não ainda nos tribunais mas na prática comum da insídia em muito sítio: se parece ser culpado, e der jeito a alguns, é-se culpado. Um esboço do fim da palavra de um cidadão valer o mesmo do que a palavra de outro: se, na convicção firme da opinião pública, uma das partes estiver ao arrepio de uma causa na moda, o que ela diz vale menos... Estávamos perigosamente assim, no esboço.

A ERC é pilinhas

Há uns dias, a ERC mandou-me uma ordem. Ela é a Entidade Reguladora para Comunicação Social e regula os jornais. Na verdade, ordena e mal. Dizia o ofício da ERC que queria "a data de publicação e o número de página" dos artigos de opinião, e a data de publicação e o número de página das entrevistas dos candidatos, com a identificação dos respetivos partidos, durante a campanha "para o Parlamento Europeu no dia 26 de junho". E mais ordenava que os pedidos "deverão dar entrada na ERC num prazo máximo de dez dias".

O enterro pacífico de Jonas Savimbi

Uma vila abandonada junto a um caminho-de-ferro que não funcionava. Cheguei lá com guerrilheiros, a pé, e ousámos entrar porque um pisteiro ofereceu-se para nos guiar os passos precisos: plantadas, havia minas antipessoal de uns, MPLA, e de outros, UNITA. "Pisa aqui", e nós, curioso jornalista ou valentes homens de guerra, obedecíamos igualmente. Com a lentidão ridícula que o medo dá. As cigarras calavam-se à nossa passagem, como para adensar a visita.

A lição à Europa do voto português 

Vou inventar uma palavra. Cunhá-la. Registar a patente. A palavra: geringonça. Admito, roubei a ideia a outro. E, por outro, não me refiro a Vasco Pulido Valente, que terá falado de geringonça acerca de um qualquer tema, e não me refiro também a Paulo Portas, que sobre o governo que se fazia em 2015 lançou a palavra no Parlamento. Isso foram só conversetas, palheta. Refiro-me ao pai, não o putativo, mas o autor da coisa geringonça: António Costa.

A lição à Europa do voto português 

Vou inventar uma palavra. Cunhá-la. Registar a patente. A palavra: geringonça. Admito, roubei a ideia a outro. E, por outro, não me refiro a Vasco Pulido Valente, que terá falado de geringonça acerca de um qualquer tema, e não me refiro também a Paulo Portas, que sobre o governo que se fazia em 2015 lançou a palavra no Parlamento. Isso foram só conversetas, palheta. Refiro-me ao pai, não o putativo, mas o autor da coisa geringonça: António Costa.