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Um dia de silêncio para falar de campanha

Hoje é um dia de inferno para os meios de comunicação social. Ninguém pode falar da coisa mais importante sobre a qual tem de se falar - e isso é o contrassenso do jornalismo. É como o elefante no meio da sala. Hoje é dia de reflexão para as eleições de amanhã. Ora, as eleições de amanhã são o assunto a tratar, hoje. Mas não. Não se pode apelar ao voto, fazer campanha é punido com multas, e isso inclui qualquer artigo ou peça jornalística que se considere enquadrar nessa categoria pelas autoridades competentes, seja a Entidade Reguladora para a Comunicação Social ou a Comissão Nacional de Eleições. Há países onde acontece o mesmo - Itália, Espanha, França -, há países onde a campanha vai até à boca das urnas, como nos Estados Unidos. E as opiniões dividem-se sobre a utilidade e as consequências de ambos os modelos.

Um debate com muita contabilidade e pouca inspiração

António Costa ganhou o debate desta segunda-feira? Duvido. Rui Rio? Idem. É bem provável que ambos tenham perdido - porque não o jogaram no campo certo. Este era um debate generalista para convencer indecisos, desinteressados, os que estão a equacionar não votar, que não sabem em quem votar, que não veem nenhum interesse em votar. São esses que vão decidir as eleições. Os que podem dar ou tirar a maioria ao PS, os que podem não tornar a provável derrota numa vergonha para o PSD.

Envelhecer, entre Almodóvar, o espelho e o SNS

Quando é que começamos a pensar que gostávamos de ter menos uns anos? Em que fase a vida nos parece crescer para trás e encurtar para a frente? Algumas pessoas responderão a estas perguntas com negativismo, acentuando a inadaptação a novos tempos. Outras terão ideia contrária: por vezes percebemos que os desafios a que estamos sujeitos precisavam de mais tempo para os resolvermos do que o que vamos ter. E é nestas duas ideias que se traçam, não só a personalidade de quem vai envelhecendo, como as tendências sociológicas que determinam a forma como olhamos para os mais velhos - e, nelas, as políticas que se seguem a este respeito.

A rentrée mais aborrecida de sempre?

Como uma peça de teatro onde cada um sabe bem o seu papel, corre sem sobressaltos esta rentrée política que é a antecâmara de uma campanha eleitoral. Sem sobressaltos no sentido do que se esperava - que já é um tanto ou quanto inusitado. O que se passa é que o partido do governo não demonstra nenhum desgaste - e tem conseguido, sem oposição, traçar o caminho e, até, condicionar a narrativa. Fala, não falando - ou talvez seja ao contrário, não falando, fala - em maioria. Desguarnecido à direita, ataca a esquerda, os seus ex-companheiros e agora último obstáculo a essa maioria.