Uma viagem de sonhos e ciência

O Abraço da Serpente, Ciro Guerra

Não se verá um filme semelhante a este, pelo menos, nos próximos tempos. O seu caráter exclusivo é mesmo um dos principais pilares a sustentar a curiosidade. Sem o delírio de um Fitzcarraldo (1982), mas com o suficiente efeito inebriante da atmosfera amazónica, O Abraço da Serpente é um belo percurso aventureiro por uma paisagem prístina.


Alternando dois períodos - o início do século XX e a década de 1940 - o filme do colombiano Ciro Guerra estrutura a sua viagem pela Amazónia no rasto narrativo de duas figuras reais, o etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg e o botânico americano Richard Evans Shultes, que se empenharam na pesquisa de uma planta medicinal sagrada. O que liga os dois tempos, além da demanda científica, é a personagem de Karamakate, um curandeiro solitário que acaba por ser o último sobrevivente do seu povo, um resistente à exploração dos "brancos". No trabalho por detrás da interação entre as histórias - uma a ecoar a outra - o destaque vai para a fotografia, a cargo de David Gallego, um preto e branco que dilui o imaginário local na aparência de documento inaudito.

Classificação: ***

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