Uma Quinzaine e Semaine bem portuguesas

Cannes 2017 prossegue com o bom currículo do cinema português lá fora. Estão cinco jovens cineastas nas secções paralelas

Quatro filmes portugueses em Cannes. O copo meio vazio lembra-nos que na seleção oficial nada. O copo meio cheio, pelo contrário, adverte-nos que é mais do que razoável termos uma longa (ainda que em sessão especial) e duas curtas na Quinzena, bem como uma curta na Semana da Crítica. A corrente, o tal movimento do cinema português, não parece abrandar, mesmo que João Canijo e o seu Fátima e Manuel Mozos e o seu Ramiro tenham ficado à porta.

A longa-metragem é o novo filme de Pedro Pinho, A Fábrica do Nada, selecionado à última da hora para uma sessão na Quinzena dos Realizadores, que este ano promete mundos e fundos. Uma seleção que vem reafirmar a ascensão do coletivo de produtores e cineastas Terratreme. Pinho, que conhecíamos de um bem interessante Um Fim do Mundo (2013) filma uma ficção que se passa numa fábrica onde as chefias estão a roubar máquinas numa altura em que se discutem despedimentos e o futuro parece negro. Uma parábola da crise em Portugal que dura três horas.

Coelho Mau, de Carlos Conceição, é uma curta escolhida para uma sessão especial na Semana da Crítica. O DN já viu o filme e garante que é um dos grandes filmes portugueses dos últimos anos. A sua seleção é um sinal de reconhecimento de um jovem cineasta que já tinha impressionado na mesma secção em 2014 com Boa-Noite Cinderela. Trata--se de uma coprodução entre Portugal e França e narra o ambiente familiar entre dois irmãos e uma mãe ausente que tem um amante. Protagonizado por Carla Maciel, Júlia Palha e João Arraiais, é o primeiro filme de Conceição filmado com subsídio do Estado.

Em conversa ao DN, Carlos Conceição aborda a questão de finalmente ter conseguido o apoio do ICA: "Não creio é que os filmes anteriores tivessem como característica principal serem filmes de baixo orçamento. Penso que a questão financeira é muito inimiga da questão artística e desde que se democratizou o HD que já não se pode falar em orçamentos da mesma forma que antes. De qualquer maneira, filmar com um budget destes muda radicalmente o método embora não necessariamente para melhor. É incomparável porque permite maiores conquistas materiais mas, por outro lado, condiciona muitas outras possibilidades." O cineasta mostra-se otimista pelo reconhecimento das curtas nos festivais estrangeiros: "Isso pode servir para criar maior sensação em torno do cinema português, do bom e do menos bom, por isso devíamos estar todos mais contentes com o momento presente. Penso que a circulação de certas curtas poderá fazer algo pelas carreiras dos seus autores, mas acredito que mais depressa isso acontece lá fora do que por cá."

E nesse segmento de pensamento, a Quinzena pode dar boleia à projeção de Água Mole, curta de animação de Xá e Laura Gonçalves, bem como Farpões, Baldios, de Marta Mateus, mais uma produção da CRIM com adesão num dos principais festivais mundiais.

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