"Uma mulher na Filarmónica de Berlim é questão de tempo"

Joana Carneiro é titular da Sinfónica Portuguesa e Berkely Symphony.

Esta nomeação de Mirga para Birmingham significa que o céu é o limite para as maestrinas?

Penso que sim. Temos muita qualidade e será uma questão de tempo até vermos mulheres à frente da Filarmónica de Berlim ou de outras grandes orquestras do mundo.

Alguma vez ouviu ou sentiu resistências dos seus colegas homens face a mulheres a dirigir?

Sim, aconteceu várias vezes ouvir dizer que um certo tipo de repertório não se adequaria a ter mulheres a dirigi-lo, mas nunca com uma argumentação objetiva, o que prova que são apenas preconceitos que a realidade depois desmente. Noutro plano, sucedeu há uns dois anos, numa orquestra europeia, um instrumentista de sopro ter passado o ensaio ostensivamente virado de lado para mim. Foi uma situação difícil e constrangedora, até porque afeta à partida o processo de procura conjunta de beleza e unidade artística.

Há alguma associação de maestrinas?

Por acaso, acho que não. Fui em 2000 ao 1.º Encontro Internacional de Maestrinas, em Bruxelas. Eu tinha então 23 anos e nunca sentira qualquer problema, de modo que foi revelador ouvir relatos duros de colegas, a quem foram sonegadas oportunidades pelo facto de serem mulheres.

Quem elegeria como ícone das maestrinas?

Talvez a Marin Alsop. É de uma geração mais velha e foi a primeira mulher a quebrar muitas barreiras. Podemos imaginar o quanto teve de lutar e ser persistente... É um exemplo e continua a ajudar maestrinas e compositoras a triunfar.

Já chegaram junto de si muitas aspirantes a maestrina?

Sim, muitas vezes vêm ter comigo a seguir a concertos, ou então mandam-me e-mails ou cartas, falando desse sonho. Tenho noção da minha responsabilidade e do que represento, pela vida e profissão que tenho, precisamente por ser mulher.

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