Um Don Quixote com Michael Palin e Portugal

Primeiros segredos do Don Quixote de Terry Gilliam e Paulo Branco desvendados: Adam Driver e Michael Palin são as estrelas.

Uma sala lotada de jornalistas de todo o mundo no mais majestoso hotel de Cannes, o Carlton. Paulo Branco é o anfitrião da apresentação do projeto The Man Who Killed Don Quixote. O produtor português e o cineasta americano Terry Gilliam desfazem-se em sorrisos numa conferência que teve um significado histórico. "É desta, finalmente!", confirmava Gilliam. "Conheci o Paulo em fevereiro e disseram-me logo que era o único produtor do mundo capaz de me produzir este filme. Estou muito feliz. Depois fui falar com o Wim Wenders, que já foi produzido duas vezes pelo Paulo, e disse-me que se há alguém que consegue produzir filmes sem dinheiro é o Paulo. Incrível, conheci-o em fevereiro e já estamos na pré-produção".

A produção, soube-se, arranca na primeira semana de outubro e dura até dezembro. Na melhor das hipóteses o filme estará pronto para a próxima edição do festival de Cannes. Segundo Branco, o orçamento ronda os 17 milhões e trata-se de uma coprodução com a Bélgica, França, Espanha e Portugal. Maioritariamente rodado em Espanha continental e nas Canárias, terá, mesmo assim, quatro semanas em Portugal".

The Man Who Killed Don Quixote é talvez o projeto adiado mais mítico do cinema. Parte da odagem foi iniciada há 17 anos, com Johnny Depp e Jean Rochefort como protagonistas. Mas a produção foi suspensa devido uma lesão do ator francês e, desde então, foi sempre adiada. Em 2016 será um amigo de Gilliam este Don Quixote, nada mais nada menos do que Michael Palin, dos Monty Python, enquanto que o papel de Sancho Pança ("atenção, neste meu filme ninguém é quem parece", avisa o realizador e argumentista) foi parar a um dos atores do momento, Adam Driver, imortalizado recentemente no novo Star Wars e em grande destaque neste festival com o papel em Paterson, de Jim Jarmuch.

"Graças a Deus aconteceu o Star Wars e colocou o Adam como ator bancável. Agora é o Adam quem nos ajuda a ganharmos financiamento, irónico", conta a rir Gilliam que não desvenda se o amigo Johnny Depp terá ainda uma pequena participação: "a ideia já me ocorreu".

O interesse amoroso deste Sancho também foi ontem anunciado: Olga Kurylenko. "Caramba, temos uma Bond Girl no nosso filme. Ela ainda é mais perfeita do que Ivana Trump. Estou muito contente com o elenco! Aqui o Sancho é alto e o Don Quixote baixinho. Ai, o Palin é tão perfeito. Ele estava morto mas eu ressuscitei-o", grita bem alto o realizador que confessa que a história, ao contrário da primeira versão (o argumento começou a ganhar forma em 1989), passa-se todo no nosso século.

Paulo Branco, num tom leve, refuta a ideia de que esta produção está amaldiçoada: "qual quê!? Cada filme surge no tempo que tem de surgir e para coisas demoníacas esta produção já vai ter um diabo. Quem? Eu...". Segundo Gilliam, este épico é "mesmo uma grande produção. O inacreditável é que estamos a fazer o filme com metade do outro orçamento. A vantagem de sermos velhos é que sabemos poupar melhor...Vai resultar muito bem!".

Cannes

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