Um ator consagrado com provas dadas como realizador de filmes

Com o seu nome ligado a muitas produções televisivas e cinematográficas, Tom Hanks é também um realizador de poucos títulos, mas com um olhar original.

Quando consultamos uma filmografia de Tom Hanks, podemos verificar que, nos últimos quinze anos, a sua atividade como produtor tem sido tão intensa como o seu trabalho como ator. A série televisiva em cenários da Segunda Guerra Mundial, Irmãos de Armas (2001), coproduzida com Steven Spielberg, terá sido o momento decisivo para essa carreira paralela, aliás prolongada por algumas tarefas de realização.

Hanks dirigiu, precisamente, um dos episódios de Irmãos de Armas. Também em televisão, assinara já alguns episódios de outras séries, o primeiro dos quais, da comédia de terror Tales from the Crypt (1992). Mas importa recordar a sua estreia como realizador de cinema, com Tudo por um Sonho (1996), tanto mais que o seu brilhantismo ficou ofuscado por uma fraca performance comercial.

Em Tudo por um Sonho (That Thing You Do!), Hanks interpreta o manager de uma banda de rock"n"roll da Pensilvânia, em meados dos anos 60, mas a ação está longe de ser construída em torno da sua personagem. É mesmo um filme que reflete o conceito de ensemble cast, lidando com a dinâmica de um grupo a viver uma vibrante odisseia musical, típica da década em que decorre a ação. Além do mais, Hanks dirige de forma exemplar alguns atores como Tom Everett Scott e Jonathon Schaech, cujas carreiras nem sempre confirmaram o seu talento; no setor feminino, encontramos Liv Tyler (que também em 1996 surgiu em Beleza Roubada, de Bernardo Bertolucci) e a principiante Charlize Theron (dois anos antes de rodar sob a direção de Woody Allen, em Celebridades).

No plano afetivo e simbólico, o que distingue Tudo por um Sonho é a sua nostalgia (cinéfila e musical), mas também a crença na existência de muitas histórias e personagens que tendem a ser esquecidas sob a acumulação dos clichés históricos e culturais. Porventura rimando com alguns dos heróis ou anti-heróis que já interpretou, Hanks sente-se atraído pela exceção que contrariam a banalidade da norma.

O seu segundo (e, até agora, último) trabalho de realização, Larry Crowne (2011), reforça tal visão, até porque nele reconhecemos um gosto pela comédia romântica tal como foi praticada por um mestre clássico como Frank Capra. Hanks interpreta um homem de meia idade que, na sequência do seu despedimento de um grande armazém, decide voltar a estudar; uma das suas professoras, interpretada por Julia Roberts, tornar-se-á uma figura central na sua existência... Para lá das convenções mais ou menos reconhecíveis, o filme possui um tom que se tornou raro na atual produção americana: o retrato das relações sociais valoriza as singularidades de cada personagem e também, por isso mesmo, o talento específico de cada intérprete.

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