Um amor vivido entre a utopia e o assombramento

Victoria Guerra e José Mata protagonizam uma paixão funesta com Viseu por cenário

Vale a pena recordar que o cineasta que assina Amor Impossível (estreia hoje) é o mesmo cuja filmografia integra títulos como O Lugar do Morto (1984), Jaime (1999) ou Call Girl (2007). De facto, António-Pedro Vasconcelos tem-se assumido muitas vezes como retratista de um quotidiano português pleno de contrastes, por assim dizer oscilando entre o desencanto social e o apelo romântico, ou melhor, o gosto do romanesco.

Amor Impossível confirma a consistência de tal atitude. E não apenas porque o metódico trabalho de argumento de Tiago R. Santos se inspira em factos verídicos. Também porque estamos perante uma teia dramática em que uma questão central do cinema de António-Pedro Vasconcelos - como se constitui um par homem--mulher - adquire contornos muito particulares e, de alguma maneira, inesperados.

Num certo sentido, as personagens centrais não poderiam ser mais típicas, ou melhor, mais reconhecíveis. Cristina (Victoria Guerra) e Tiago (José Mata) são dois jovens unidos por uma paixão paradoxal. Há na sua relação uma energia visceral, de que o sexo será apenas o sinal mais evidente, que os transporta para um domínio puramente utópico - para Cristina, Emily Brontë é mesmo a referência inspiradora; ao mesmo tempo, porém, sabemos praticamente desde o começo que se trata de uma paixão funesta que, através de uma teia de flashbacks, vamos conhecer nos seus segredos mais perturbantes.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN