Trisha Brown: Mesmo sem ela, esta não será a última dança

A tournée retrospetiva da coreógrafa que deixou a ribalta em 2013 passa hoje e amanhã pela Culturgest, em Lisboa. A companhia vai continuar, garante a sua diretora artística

Carolyn Lucas era uma estudante de dança com "uns 19 anos" quando, numa noite, viu Trisha Brown e seus bailarinos dançarem na Brooklyn Academic of Music, em Nova Iorque. "Eu não sabia quem ela era. Apaixonei-me pelo movimento e pela sua qualidade. Era tão bonito e tão único. Era o que queria fazer." Três anos depois, estava a dançar naquela companhia.

Foi há mais de três décadas. Desde então, Brown, hoje com 78 anos, fechou uma obra com mais de cem títulos e, em 2013, depois de sofrer múltiplos pequenos AVC, retirou-se da companhia que fundou e que sobrevive com o seu nome. Lucas, que ao lado da coreógrafa cumpriu uma carreira de bailarina e assistente coreográfica, é hoje - a par de Diane Madden - diretora artística da Trisha Brown Dance Company (TBDC), que hoje e amanhã sobe ao palco da Culturgest, em Lisboa. Há três anos que andam pelo mundo como que a pôr em marcha a obra da coreógrafa americana.

A companhia sem a fundadora

Chamaram à tournée retrospetiva Proscenium Works 1979-2011, algo como Obras de Proscénio, termo que designa a parte da frente do palco, junto à ribalta. Trisha, um dos grandes nomes da dança contemporânea, e a primeira coreógrafa galardoada com o importante MacArthur Foudation Fellowship "Genius Award", está desde 2013 afastada das luzes dessa ribalta. Quando, ao telefone com Carolyn Lucas, se pergunta por ela, responde: "Está numa fase da saúde em que precisa de muitos cuidados médicos. Mas é muito privado. É como a sua mãe, percebe?"

Falamos, pois, do passado e do futuro, com Lucas a garantir que a TBDC não acabará como a companhia de Merce Cunningham - com quem Trisha trabalhou - que, após a morte do coreógrafo, fez uma tournée retrospetiva de dois anos e extinguiu-se. "Queremos manter o trabalho da Trisha vivo. É demasiado bonito para não o ter presente no mundo. E há tanta gente que ainda está a aprender com ele."

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