Três imensos dias de espetáculos a não perder

O Festival DDD - Dias da Dança termina no próximo sábado com a estreia da mais recente criação de Raymund Hoghe.

Songs for Takashi nasceu de um desejo forte, como quase todas as obras de arte. O coreógrafo, performer e produtor alemão Raimund Hoghe quis pôr o bailarino japonês Takashi Ueno - intérprete e inspiração de recentes criações suas - em contacto com a música da Idade Média e do Renascimento. Ou talvez seja mais exato dizer mergulhar a poesia dos movimentos do bailarino nessas composições e levar-se a si e ao resultado para o palco, em diálogo com Takashi e com a voz da cantora Victoria de los Angeles. O mais recente trabalho do dramaturgo e cúmplice de Pina Bausch há de mostrar-se pela primeira vez em Portugal no grande auditório do Rivoli, no próximo sábado, a encerrar a edição um do Festival DDD - Dias da Dança.

Até lá, outros espetáculos a não perder acontecem no triângulo Porto-Matosinhos-Gaia, a começar pela dupla estreia nestes palcos de Marlene Monteiro Freitas, coreógrafa e bailarina cabo-verdiana com sede em Lisboa e palco no mundo. Ao recente Jaguar, uma "cena de caça assombrada" em dueto com Andreas Merk, segue-se o quarteto De Marfim e Carne - as estátuas também sofrem, "um baile de figuras petrificadas" segundo a criadora, programados em dias consecutivos (hoje e amanhã) e palcos diferentes (Constantino Nery e Campo Alegre) para exponenciar o contacto do público com o poder de evocação selvagem que marca o movimento e a imaginação de Monteiro Freitas.

No Armazém 22, a companhia Kale, fundada pelo bailarino e coreógrafo israelita Eldad Ben-Sasson, apresenta o mais recente trabalho deste criador, em que diferentes formas de diálogo se cruzam com memórias do movimento e são afetadas por ele. Chama-se Tal-Dew e apresenta-se amanhã e sábado à tarde em Gaia, alternando com Op.20, Acto I, na Mala Voadora, no Porto, de Gonçalo C. Ferreira, jovem criador portuense com formação em música e artes performativas. André Mendes, bailarino excelentíssimo que desde 2013 apresenta as suas próprias criações, estreia Hector (sábado, Auditório Municipal de Gaia), um solo que cruza o mito do príncipe de Troia com a reflexão sobre "a resistência física e o espírito de busca incessante".

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