Toque de clarim da GNR finaliza cerimónia

A urna contendo os restos mortais de Sophia de Mello Breyner Andresen deu entrada, às 20:05, no Panteão Nacional, e o toque de clarim da GNR finalizou a cerimónia.

À entrada da urna no Panteão, uma salva de palmas fez-se ouvir, com toda a plateia de pé.

Ao longo da cerimónia, além dos discursos de José Manuel Santos, que fez o elogio da poetisa, da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, assistiram-se a duas atuações de bailarinos da Companhia Nacional de Bailado (CNB).

Os bailarinos dançaram um trecho do "Lago dos Cisnes", de Tchaikovsky, que, numa carta a sua mãe, Sophia comparou a "uma felicidade", e um dueto de "Orfeu e Eurídice", sobre música de Gluck.

O vento que se fez sentir durante a cerimónia fez cair várias vezes a bandeira nacional que cobria a urna e também, por uma vez, o expositor onde se encontravam as condecorações recebidas pela poetisa em vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen é a segunda mulher a ter honras de Panteão Nacional, como forma de homenagear "a escritora universal, a mulher digna, a cidadã corajosa, a portuguesa insigne", e de evocar o seu exemplo de "fidelidade aos valores da liberdade e da justiça", conforme se lê no projeto de resolução da Assembleia da República.

O parlamento aprovou por unanimidade, no passado dia 20 de fevereiro, a concessão de honras de Panteão Nacional à escritora, que foi também deputada à Assembleia Constituinte, em 1975-1976, realizando-se a trasladação hoje quando se completa uma década sobre a sua morte.

Falecida aos 84 anos, Sophia de Mello Breyner Andresen foi autora de vários livros de poesia, entre os quais "O Nome das Coisas" e "Coral", de obras de ensaio, designadamente "O Nu na Antiguidade Clássica", contos, como "Histórias da Terra e do Mar", ficção infantil, como "A Fada Oriana", "A Menina do Mar" e "Noite de Natal", e também, teatro, "O Colar".

Entre os autores que traduziu contam-se Dante e William Shakespeare.

Os antigos presidentes da República António Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, o ex-presidente da Assembleia da República António Almeida Santos, o presidente do Centro Nacional de Cultura (que Sophia também dirigiu), Guilherme de Oliveira Martins, e o editor livreiro Manuel Valente, da Porto Editora, que atualmente publica a obra da poetisa, contavam-se entre as personalidades presentes na cerimónia.

Também estiveram presentes, entre outros, o ensaísta Eduardo Lourenço, o presidente da Associação Portuguesa de Escritores José Manuel Mendes, os escritores Lídia Jorge e Mário de Carvalho, e o jornalista Jorge Wemans, um dos fundadores do Público, antigo diretor da Lusa, que fez parte do grupo de católicos progressistas, que se reuniu na capela do Rato, na passagem de ano de 1972 para 1973, numa demonstração contra a guerra colonial.

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