Sérgio Godinho e novas vozes no Teatro São Luiz

O músico Sérgio Godinho, que estreia na quinta-feira um espetáculo em torno da palavra "liberdade", considera que a democracia está "num momento muito, muito difícil" e que é preciso lutar por ela, "mesmo que seja tão imperfeita".

A propósito dos 40 anos da Revolução de Abril, Sérgio Godinho protagoniza, de quinta-feira a sábado, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, um espetáculo que tem como mote a palavra "liberdade" - que é também o título de uma canção do músico, de 1974 - e que contará com a participação da fadista Gisela João, do músico Jorge Benvinda e da atriz Maria João Luís.

"O 25 de Abril tem o cognome meritório de 'Dia da Liberdade'. Acho que, em muitas das minhas canções, é aquilo que perpassa e que entretece todo o meu universo", afirmou o músico à agência Lusa.

No espetáculo, Sérgio Godinho deverá interpretar "Os vampiros", de José Afonso, e temas seus, nomeadamente "Liberdade", "Só neste país" e "Etelvina", este com Gisela João, todos com arranjos novos.

No São Luiz, além daqueles três concertos, Sérgio Godinho convidou músicos mais novos -- nascidos depois da revolução -- para atuarem no Jardim de Inverno em cada uma das noites, também tendo na ideia a palavra "liberdade".

São eles Nuno Prata (na quinta-feira), Joana Barra Vaz (na sexta-feira) e They're Heading West e Capicua (no sábado).

Ana Matos, a rapper Capicua, explicou à Lusa que ela e os They're Heading West vão resgatar algumas das ideias desenvolvidas num concerto que deram há um ano, em Lisboa, precisamente no dia 25 de abril de 2013.

"Terá versões de músicas minhas, versões das músicas deles, vamos tocar a 'Liberdade', vou dizer alguns poemas", explicou.

Para Capicua, a música ainda tem "esse poder de transmitir palavras de uma forma muito intensa, porque mexe com as emoções". "Celebrar a liberdade e falar destes temas através da música continua a ser uma arma poderosa".

E há o contexto atual do país, um "medo que está interiorizado nas pessoas", prossegue Capicua. "Não é uma censura externa, é o medo de dizer as coisas, é o medo de perder o emprego quando há tanto desemprego e empregos precários".

"É mais uma razão para lutar pela liberdade e celebrá-la. São duas coisas que vivem juntas. E lutar pela democracia mesmo que ela seja tão imperfeita. Começa a haver vozes a achar que está tudo estragado, que a democracia está estragada; o descrédito dos políticos é enorme e, na maior parte das vezes, infelizmente, é justificado", disse.

Depois dos três concertos em Lisboa, Sérgio Godinho levará o espetáculo "Liberdade" a outras cidades do país, durante o mês de abril: Loulé (dia 17), Beja (dia 19), Castelo Branco (dia 23), Setúbal (dia 24), Viseu (dia 25) e Ovar (dia 26).

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