Seiva Trupe estreia espetáculo em Matosinhos

Parte da vida do líder da banda Nirvana, Kurt Cobain, vai ser retratada, a partir de sexta-feira, no Cineteatro Constantino Nery, em Matosinhos, no primeiro espetáculo da Seiva Trupe após a expulsão do Teatro do Campo Alegre, do Porto.

A peça intitulada "Aberdeen - Um Possível Kurt Cobain", decorre nos três dias em que o vocalista e guitarrista foi dado como desaparecido. Nesse período, traz-se a palco temas como a música, a família, o abuso de drogas e a solidão que resultam de conversas entre Kurt Cobain e "Boddah", o amigo imaginário desde infância.

"O espetáculo descreve a época da região de onde Kurt é natural [Aberdeen, EUA] mas projeta-se a nível mundial. Toca muitos assuntos existenciais que, muitas vezes, resultaram de problemas sociais daquela época e que se projetam nos dias de hoje e nos próximos tempos", descreveu um dos diretores da companhia teatral, Júlio Cardoso, à agência Lusa.

O espetáculo da Seiva Trupe, que termina na quinta-feira, é a primeira apresentação da companhia no Teatro Municipal de Matosinhos, após ter sido despejada do Teatro do Campo Alegre, a 17 de outubro, pelo anterior executivo camarário do Porto.

"A Câmara Municipal de Matosinhos foi solidária connosco. Logo no primeiro dia em que a nossa situação foi tornada pública, recebemos, de imediato, um comunicado da Câmara a dizer que o Teatro Municipal estaria à nossa disposição, evidentemente, sujeito à programação que já estava feita", explicou Júlio Cardoso.

"Fizemos de tudo para estreá-la no Teatro Campo Alegre. Ao fim de 40 anos de existência da Seiva Trupe, fomos obrigados a levar a peça para fora da cidade do Porto", acrescentou.

"Aberdeen - Um Possível Kurt Cobain" é uma peça de Sergio Roveri, com interpretação de Miguel Ramos e Luís Trigo, que estava prevista estar em cena no final do próximo ano.

"Estava programada desde que tivemos conhecimento dela, há quatro anos. Íamos levá-la a palco só no final de 2014, mas decidimos antecipá-la um ano. Não estamos arrependidos porque, para nós, vem exatamente no tempo oportuno, não só pelas condições atuais da companhia, como também pelos temas que se inserem na atualidade", justificou.

O diretor, que é também encenador da peça a estrear, referiu que o espetáculo baseado na vida do fundador dos Nirvana "é dirigido às mais amplas camadas da população", adiantando que tanto têm reservas "de jovens como também de pessoas com mais de 70 anos".

"São bandas que marcaram gerações e que, hoje, são intergeracionais. O exemplo disso é comemorarmos os 20 anos da morte de Kurt Cobain e, segundo especialistas, os Nirvana serem dos discos que mais vendem presentemente", explicou.

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