Maria Matos será uma casa para os artistas independentes

Mark Deputter apresentou ontem a programação para a sua primeira temporada no Teatro Maria Matos. No Teatro São Luiz, Jorge Salavisa vai homenagear Amália e Carmen Miranda, além de receber a Cornucópia e os Artistas Unidos.

Será com a VII Festa do Jazz Português que, já amanhã, se inaugura o renovado palco da sala principal do Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa. A sala está há meses fechada para obras que, embora não muito visíveis para os espectadores, foram essenciais para tornar o palco mais flexível e seguro, apto a receber a criação contemporânea.

Jorge Salavisa, que dirige o teatro desde 2002, está ansioso por ver naquele palco a programação que escolheu para a próxima temporada e que começa, a 17 de Setembro, com a encenação de Jorge Silva Melo com os Artistas Unidos para a peça de Pirandello Seis Personagens à Procura de Um Autor, um espectáculo que, como lembrou Salavisa, "está há um ano à procura de um palco".

A programação de um teatro, diz, "tem que ter um ritmo, uma dinâmica, não pode ser sempre tudo igual se não as pessoas fartam--se" e, nesse sentido, a sua proposta para o São Luiz passa por ter espectáculos bastante diferentes - que tanto podem ser de teatro, música ou dança, desde Luís Miguel Cintra a encenar Aristófanes (A Cidade estreia-se a 14 de Janeiro próximo) até à já habitual gala de travestis (1 de Dezembro).

Enquanto Salavisa teve 750 mil euros para programar a próxima temporada do São Luiz, no outro teatro municipal, o Maria Matos, Mark Deputter dispôs de apenas 550 mil euros. Foi, aliás, por considerar que o orçamento não seria suficiente que o seu anterior director, Diogo Infante, acabou por se afastar do projecto. Para a sua primeira temporada, Mark Deputter optou por contornar esta dificuldade apostando em inúmeras parcerias e co-produções.

"Há uma mudança de paradigma no Maria Matos", admite Deputter. "Será a primeira vez que um teatro municipal terá uma programação dedicada à criação contemporânea e aos criadores independentes que poderão aqui sentir-se em casa, terão melhores condições de trabalho e irão chegar a um público maior." Nomes como Lúcia Sigalho (13 de Novembro), João Garcia Miguel (10 de Dezembro) e Mónica Calle (Junho do próximo ano) são alguns dos criadores independentes que irão apresentar-se no palco do Maria Matos.

Além de se assumir como co-produtor, este teatro tem ainda pretensões a "inscrever a criação contemporânea num contexto internacional", quer convidados companhias estrangeiras a ali se apresentarem, quer também fazendo um esforço para "exportar" as criações nacionais. Se há alguém que o pode fazer esse alguém é Mark Deputter, que tem vasta experiência (e sucesso) na programação de festivais internacionais em Lisboa.

Presente na apresentação das programações dos dois espaços , o presidente da Câmara António Costa não escondeu a sua satisfação: "Correspondem àquilo que devem ser os teatros municipais, com personalidades bem vincadas", disse. "O trabalho destes teatros é essencial para apoiar a criatividade na cidade de Lisboa."

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