"Gil Vicente na Horta" no Teatro Nacional D. Maria II

"Gil Vicente na Horta" estreia hoje, na sala estúdio do Teatro Nacional D.ª Maria II, em Lisboa, assinalando os 500 anos da estreia da farsa "O velho da horta", na corte de D. Manuel I.

"O corpo central é o texto de 'O velho da horta", de Gil Vicente, que é genial, e, como todos os clássicos, está sempre atual; mas eu aproveito a altura em que o 'Velho' desmaia, para soltar uns diabretes vicentinos que, usando o texto de 'Todo o Mundo e Ninguém', fazem entrar cenas de diferentes outras peças de Gil Vicente", explicou à Lusa João Mota, que encena a peça.

O "Auto da Alma", "Farsa de Inês Pereira", "Auto da Índia", "Auto da Barca do Inferno", "Inverno Verão" e "Auto da Feira" são algumas das peças de Gil Vicente, autor português do Renascimento, na transição entre a Idade Média e a Moderna, que João Mota também utiliza.

"O velho entretanto acorda, voltamos ao espírito da peça, de um velho que quer comprar a juventude, e espantosamente, quando tanto se debate a eutanásia, este 'Velho' evoca o amor que teve, colocando uma rosa na lapela, fecha o caso e afirma: 'eu vou morrer' - e morre".

Para o encenador, que é também diretor do Teatro Nacional D.ª Maria II (TNDM II) esta "é uma afirmação espantosa dita há 500 anos".

Os figurinos, de autoria do ator Carlos Paulo, "são tão atuais quanto o é o texto da peça", disse João Mota.

Referindo-se à peça, afirmou que é "um espetáculo popular com uma linguagem muito simples, e que joga com o sagrado e o profano. É feito num palco, mas podia ser um espetáculo de rua".

João Mota sublinhou a participação no elenco dos seis melhores atores que terminaram a licenciatura de teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa - Bernardo Chatilllon, Joana Cotrin, Jorge Albuquerque, Lita Pereira, Luís Geraldo e Maria Jorge -, ao lado de atores do Nacional João Grosso, José Neves, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Maria Amélia Matta, Alexandre Lopes, Marco Paiva e Simon Frankel.

Em tom de remate, o encenador com 55 anos de teatro lamentou "a forma como a cultura tem sido relegada, e que tem de ser forte e trabalhar em conjunto com a Educação".

Referindo-se ao orçamento afirmou: "Vamos vivendo e a programação está feita até julho", sublinhando no entanto que "as pessoas não tem dinheiro para comer como podem ter dinheiro para vir ao teatro".

"As pessoas estão muito tristes, sem esperança e isso choca-me", rematou.

"Gil Vicente na Horta", a partir de "O velho da horta" e outros textos de Gil Vicente, numa versão cénica e encenação João Mota, estará em cena na sala Estúdio do TNDM, a partir de hoje e até 2 de dezembro.

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