Do 'Levanta-te e Ri' ao palco da Cornucópia

O humorista faz 'stand-up comedy', rádio, televisão, teatro e o que mais aparecer.  A partir de amanhã estará em 'A Cidade'.

Sim, Bruno Nogueira, aquele humorista que ficou famoso por, numa gala da SIC, se referir a Francisco Balsemão como "o homem do bolo", aquele que o país inteiro conhece como um dos "controladores de panisgas" da série Contemporâneos, sim, esse Bruno Nogueira entra num espectáculo da Cornucópia. Mas ainda não é desta que o veremos num papel "sério". A Cidade , o espectáculo encenado por Luís Miguel Cintra que se estreia amanhã, no Teatro São Luiz, em Lisboa, é uma comédia hilariante que reúne uma série de textos de Aristófanes tão actuais quanto mordazes.

"Independentemente de ser comédia ou drama, o que eu faço é sempre à séria", defende-se Bruno, que, no entanto, reconhece: "É a primeira vez que tenho oportunidade de trabalhar com a Cornucópia, que é uma companhia que eu respeito muito, e tem sido uma experiência diferente". O espectáculo junta "a companhia habitual com actores não cornucopianos" e se, ao princípio, Bruno se pode ter sentido um bocadinho "peixe fora de água" rapidamente se adaptou ao método de Luís Miguel Cintra, "com uma grande preocupação dramatúrgica". "Há actores muito diferentes mas todos temos o mesmo fim, que é representar. Aprendi, com as várias pessoas com quem trabalhei, a ir buscar as ferramentas que preciso para cada trabalho."

Aos 27 anos, Bruno Nogueira pode gabar-se de já ter feito de tudo. Já foi humorista, hoje é actor. Fez espectáculos a solo e outros com muitos actores (Manobras de Diversão, Monty Pyton), stand-up comedy em palco (Clube da Comédia do Maxime e em muitos outros palcos do país) e na televisão (Levanta-te e Ri), cinema de corpo (Sorte Nula) e voz (de Melman de Madagáscar), programas de rádio (Tubo de Ensaio, na TSF) e de televisão (Contemporâneos) - e nem estamos a ser exaustivos.

Bruno Nogueira está prestes a comemorar dez anos de carreira - estreou-se profissionalmente, aos 18, no espectáculo A Lata, no Auditório Carlos Paredes. "Comecei muito cedo. E tive a sorte de poder trabalhar com os maiores actores de comédia de Portugal. Com o José Pedro Gomes, o António Feio, o Miguel Guilherme, a Maria Rueff, o Nuno Lopes... Aprendi imenso com todos eles. Assistindo aos seus métodos de trabalho percebi como é que eles chegavam àquilo que, depois, como espectador, me faz rir." O rapaz tímido que, na escola, aprendeu a usar a comédia "para fazer amigos", é hoje um nome incontornável. E até vai estrear, antes do Verão, um espectáculo com a Orquestra Metropolitana. Gosta de se desafiar e no humor usa apenas como critério o bom gosto - "o meu gosto, pode não corresponder ao bom gosto dos outros", ressalva. Mas isso não angustia. "Há humores diferentes para pessoas diferentes, se uma pessoa não se ri de uma piada minha talvez esteja no sítio errado, talvez deva procurar outro tipo de humor." "Faço aquilo em que acredito. Tenho que acreditar num projecto e confiar nas pessoas com quem trabalho.", diz. "O objectivo final é fazer rir. Se possível de forma inteligente, sem ser a atirar tartes na cara."

Havemos de o ver numa peça de "teatro à séria" um dia destes. "Vai acontecer, mais cedo ou mais tarde", acredita ele. "Mas terá que ser natural, tem que se justificar. Não quero experimentar só para dizer que já fiz."

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