"Stabat Mater" de Nuno Baltazar encerrou 41.ª edição

O desfile da coleção do criador de moda Nuno Baltazar para o verão de 2014, "Stabat Mater", que assinala 15 anos de apresentação na ModaLisboa, encerrou hoje no Pátio da Galé a 41.ª edição da iniciativa.

Esta coleção é, de acordo com o próprio, a sua "interpretação sobre um dos ícones da música sacra - o Stabat Mater".

"As diferentes representações da mãe de Cristo na Arte Sacra ao longo dos tempos são o ponto de partida para uma história de contrastes", refere-se no texto de apresentação da coleção, e isso nota-se nas silhuetas que variam entre as linhas austeras e anatómicas. A música sacra está também presente nos acessórios, com jóias de inspiração religiosa.

Os desfiles de hoje, o último dia desta edição, arrancaram pelas 14:30 nos corredores dos Paços do Concelho, na Praça do Município, onde Catarina Sequeira apresentou a coleção da Saymyname para a próxima primavera, inspirada no "Baye Fall, subgrupo da irmandade Mouride - grande ordem do sufismo Islâmico mais proeminente no Senegal".

Catarina Sequeira explica que "as suas vestes 'Njahas', consistem em pequenos pedaços de diversos tecidos multicoloridos e inspiram os cortes geométricos e blocos de cor de uma forma minimalista".

Nos materiais, a estilista optou pelo crepe elástico, o nylon, o linho estruturado, e uma imitação de papel metálico. Já as cores, variaram entre o preto, o branco, o azul e o verde.

Depois, no mesmo local, foi a vez do estreante Luís Carvalho desvendar as suas propostas. As roupas criadas por sim explicou à Lusa, são uma "mistura de descontraído e clássico, peças 'clean' com atenção ao detalhe".

"Shelter" (abrigo) é o nome da coleção que trouxe à ModaLisboa, em que "o efeito manchado evidente no estampado e criado nas sombras das diferentes layers, bem como o efeito metalizado, provem das pedras que constroem este 'abrigo'".

Depois, pelas 17:00, os desfiles prosseguiram no Pátio da Galé. A coleção de Pedro Pedro para a primavera/verão de 2014 "apropria-se do visual masculino colonial e militar e transfigura-o, cumulando-o de pormenores ricos e 'over decorated' [denasiado decorados], de transparências sensuais e femininas".

Nas cores, Pedro Pedro optou por tons sóbrios como o branco, o bege, o cinzento e vários tons de verde. Os tecidos utilizados nas peças vão dos algodões às organzas, passando pelos veludos, os tafetás e as peles bordadas.

A dupla Marques'Almeida trouxe à ModaLisboa, a coleção que desvendou em setembro na semana da moda de Londres, Inglaterra. Marta Marques e Paulo Almeida voltaram a inspirar-se na década de 1990, particularmente no movimento grunge, "o ADN da marca", mas desta vez foram mais longe, até ao início dos anos 2000.

"A 'vibe' grunge existe, mas junta milénio, festa e o fascínio com o Oriente", explicaram. Esta influência nota-se nos cortes ao estilo quimono e no uso de tecidos como organzas mais brilhantes e tops drapeados.

Já Ricardo Preto criou "as estruturas fluidas e as volumetrias do quadrado e da esotérica pirâmide" das suas peças para a próxima primavera, através do cruzamento em tecidos da "Bauhaus e do hiper-realismo".

"As cores que pontuam o sonho do próximo verão são: preto, branco, cru, verde-esmeralda e azul menta", disse.

Aleksandar Protic inspirou-se na "escultura de Icarus da Zlata Markov, pôr-do-sol, voo", para criar a coleção que apresentou hoje, onde as peças têm uma estrutura "fluída e casual" e onde dominam as cores cinzento e preto e materiais como seda, linho, algodão e pele.

Seguiu-se a coleção dos White Tent, que "tem como base de inspiração os uniformes de Judo" e cuja paleta de cores varia entre o azul, o rosa pálido e o branco.

"Esta coleção vê também a introdução de folhos à usual linguagem minimal da marca. A nível têxtil, efeitos como tye-dye e tingimento vegetal são protagonistas, juntamente com malhas índigo", explica o texto de apresentação da coleção.

A ModaLisboa regressa em março, para a apresentação das coleções para o inverno de 2014/2015.

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