"Sophia sintetiza todos os sinais emancipadores da História"

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, lembrou hoje Sophia de Mello Breyner Andresen como poeta mas também "nos caminhos da política feita com alma", na luta contra a ditadura do Estado Novo e como deputada constituinte.

"Vemo-la, então, nos caminhos da política, a política feita com a alma, busca da felicidade dos homens, entrega inteira. Vemo-la persistente, buscando para a cidade a forma justa! Buscando a harmonia e a unidade de todos os homens. Contra o tempo de negação do Estado Novo, anunciando já um outro tempo", afirmou Assunção Esteves.

"Vemo-la em Abril, celebrando o dia inicial do 'acordo livre e justo'. Vemo-la à porta de Caxias, cravos na mão mais certa entre todas as mãos! Vemo-la no Parlamento, protagonista da nossa Constituição fundadora", lembrou.

Na cerimónia de trasladação de Sophia de Mello Breyner Andresen para o Panteão Nacional, decidida por unanimidade pela Assembleia da República, Assunção Esteves lembrou que "Sophia fez da política, da vida e da poesia ideias líquidas".

"Sophia de Mello Breyner representou a 'inteireza do estar na terra', para recorrer às suas próprias palavras. Uma inteireza que parece libertar-se da condição humana, uma inteireza impossível que, afinal, se realiza. Cidadã combatendo com a alma, intelectual, mulher e mãe, Sophia foi mesmo alguém todo inteiro, arauto de um tempo novo como tempo justo!", declarou.

Assunção Esteves lembrou que, embora "nascida de uma família de amplos recursos, Sophia mostrou que a verdadeira riqueza é a que está no coração dos homens", e "foi capaz de ver, para lá da sua própria condição, o buraco negro dos injustiçados".

"No seu pensamento está todo o ideal dos justos, toda a coragem dos justos, a coragem de 'recomeçar cada coisa a partir do princípio', como ela dizia. A política ali, como revolução transformadora, poema a partir da página em branco", disse.

Para Assunção Esteves, "Sophia sintetiza todos os sinais emancipadores da História, todas as vias do puro sublime".

A presidente da Assembleia da República considerou que as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen são "palavras de desafio": "Para sermos heróis de um mundo novo, inscrevendo em cada ação a claridade da sua fórmula intemporal: a relação justa com os homens e a relação justa com as coisas".

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