Angola no Porto: Sindika Dokolo levará arte Chokwe à cidade

O patrono da Fundação Sindika Dokolo fala de projetos futuros naquela cidade. Entre eles, futuras exposições na sua nova sede, a Casa Manoel de Oliveira, e uma parceria com a Casa da Música

Sindika Dokolo, colecionador de arte e casado com Isabel dos Santos, filha do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, explicou que a aquisição da Casa Manoel de Oliveira, projetada por Eduardo Souto Moura, por 1,58 milhões de euros, vai permitir constituir "uma ligação forte, intima, pessoal e humana" entre Angola e o Porto.

"Queríamos fazer ao mesmo tempo uma presença angolana no Porto, mas que seja também uma ponte e um sítio de troca, de encontro, com base numa relação virada para o futuro, construtiva. Eu, pessoalmente, estou muito entusiasmado com o que esse instrumento vai permitir entre Angola e o resto do mundo", reconheceu o patrono da fundação, que no sábado se reuniu em Luanda com o autarca do Porto, Rui Moreira.

Dokolo:Porto tem potencial extraordinário

Sindika Dokolo assumiu o "potencial extraordinário" do Porto e a associação que pretende estabelecer com a cidade, através da Casa Manoel de Oliveira, que será a sede da instituição para a Europa, mas também de "vários outros projetos", nomeadamente uma parceria com a Casa da Música.

"Gostaríamos de participar de maneira proativa nesse enriquecimento da vida cultural do Porto", afirmou. Sobre as novas funcionalidades na Casa Manoel de Oliveira, Sindika Dokolo explicou que equipas técnicas estão já a avaliar a necessidade de intervenção e reabilitação no imóvel, pelo que a abertura do espaço "vai depender da rapidez de execução das empresas de construção do Porto".

Exposições sobre a arte Chokwe - povo originário do interior norte de Angola e sul da República Democrática do Congo -, cuja recuperação está a ser levada a cabo pela Fundação Sindika Dokolo, serão um dos destaques do edifício do Porto.

Várias peças de arte Chokwe foram levadas de Angola durante a guerra civil entre 1975 e 2002, estando aquela fundação a liderar o processo para as fazer regressar ao país, negociando com colecionadores privados.

Durante a visita do autarca Rui Moreira a Luanda foi ainda acordado que a fundação Sindika Dokolo terá acesso ao arquivo histórico e documental sobre a arte e povo Chokwe, que está na posse da Câmara do Porto.

"Vai-nos permitir recolher informação, disponibiliza-la a professores e universidades angolanas e criar um banco de dados na internet para que os colecionadores que suspeitam da origem de obras no seu poder possam verificar se pertencem aos museus nacionais angolanos", concluiu o patrono da fundação.

A fundação levou ao Porto, em 2015, a exposição You Love Me, You Love Me Not composta por peças da coleção de arte de Sindika Dokolo, criada em 2003, em Luanda, Angola. A coleção conta com mais de 3.000 obras, entre pinturas, gravuras, fotografias, vídeos e instalações, da autoria de 90 artistas de 25 países

Rui Moreira:Este é o melhor exemplo de uma cooperação profícua

"Temos uma fundação angolana que resolve apostar pela primeira vez fora de Luanda, que o faz no Porto, que adquire - não foi oferecido - um edifício que para nós tem grande significado (...) para instalar lá uma fundação. Que melhor forma de retomarmos estes vínculos que temos", admitiu Rui Moreira.

Em julho de 2015, de visita a Luanda, o autarca tinha já admitido a necessidade de apostar na vertente cultural para promover as relações entre as duas cidades, cuja geminação foi estabelecida há 20 anos, mas que ficou estagnada.

"Esta relação com a Fundação Sindika Dokolo é o melhor exemplo de uma cooperação profícua", assume o presidente da Câmara do Porto.

Segundo o autarca Rui Moreira, já decorrem reuniões entre a câmara, o arquitetura Souto Moura, autor do projeto, e a fundação para definir um plano de reabilitação do imóvel. "O arquiteto Souto Moura está entusiasmado com esta reabilitação, isto vai passar por uma residência em que a arte Chokwe vai ser o primeiro projeto. Portanto é coisa para começar muito brevemente", admitiu Rui Moreira.

O Festival de Músicas do Atlântico

O vice-presidente da Fundação, Fernando Alvim, afirmou ao DN em junho de 2015 que outro elemento da programação imaginada para a cidade do Porto é o Festival de Músicas do Atlântico, então previsto para o verão deste ano, 2016. Um festival que começaria no Porto e teria depois uma rotatividade durante todo o ano, passando por cidades como "Dakar, Casablanca, Lisboa, Havana, Rio...".

Outro dos projetos é que o Porto receba um segundo palco da Bienal Internacional de Poesia", que começou em Luanda em 2012.

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