Sem apoios, João Fiadeiro fecha a Real e processa o Estado

Pela primeira vez, o coreógrafo João Fiadeiro não recebeu qualquer apoio da Direção-Geral das Artes. Vai fechar o Atelier Real, que há dez anos recebe outros artistas.

Por estes dias, fazem-se arrumações no número 55 da Rua do Poço dos Negros, em Lisboa. É preciso esvaziar o espaço. O Atelier Real, de João Fiadeiro, que ali funciona há dez anos, vai desaparecer. As várias salas que até aqui eram usadas para residências artísticas, lançamentos de livros, ensaios, reuniões, apresentação pública de projetos, vão dar lugar a espaços de trabalhos arrendados por empresas. Esta foi uma das 116 propostas que concorreram aos apoios bianuais e anuais da Direção-Geral das Artes mas que viram negado o apoio financeiro. No seu caso, que tinha desde sempre, forçando-o a "tomar decisões radicais". Entre elas, a de cancelar toda a programação daquela estrutura e rentabilizar os espaços. "Temos de pagar a nossa renda", justifica. Mas mantém as suas produções

"É triste mas acabou. A programação e as residências artísticas acabam no final deste mês. A investigação vai ser interrompida. A única coisa que não acaba é o meu projeto artístico. Tenho os workshops , que dou em todo o mundo, e uma nova produção a estrear em novembro no Teatro Maria Matos", explica Fiadeiro. O espetáculo, o regresso às peças de grupo após sete anos, vai chamar-se, ironicamente, O Que Fazer Daqui para Trás? Fiadeiro sente-se numa encruzilhada.

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