Rui Pregal da Cunha, Richie Campbell, Paus e Capicua. Quem vencerá a batalha?

O Coliseu dos Recreios recebe mais uma edição da Red Bull Music Culture Clash. Mais de 40 artistas vão defrontar-se em representação das equipas lideradas por Paus, Capicua, Richie Campbell e Rui Pregal da Cunha.

É caso para dizer que, a haver um favorito à vitória nesta segunda edição da Red Bull Music Culture Clash, esse estatuto pertence a Richie Campbell. Por ser o único representante da cultura do reggae, que está na base do conceito, inspirado nos famosos sound clash jamaicanos, onde coletivos de músicos de DJ se digladiam em animados duelos musicais, mas especialmente porque há cerca de ano e meio fez parte da equipa liderada por Branko, vencedora da primeira edição deste evento.

"Se não ganhar isto é uma vergonha", diz o cantor com humor, mesmo sabendo que "este clash é muito diferente dos verdadeiros clash jamaicanos", aos quais está mais habituado. "A estratégia aqui passa por dar mais espetáculo, com alguns toques de clash, porque nos verdadeiros é só ofender e deitar os adversários abaixo. Aqui, como o público não tem essa cultura, até pode levar a mal. O maior desafio é encontrar esse equilíbrio e, ao mesmo tempo, manter-me fiel ao espírito original do clash", explica Richie Campbell, que será o líder da crew Bridgetown, composta por Mishlawi, General Gogo, Luís Franco Bastos, Ben Miranda, Dengaz, Plutonio, DJ Dadda, Dodas Spencer e Afonso Ferreira. "Basicamente, chamei as pessoas com quem estou todos os dias. Eram as pessoas mais indicadas, até porque vimos todos da mesma escola do reggae e do dancehall."

Não se pense no entanto que Richie Campbell tem a vitória garantida, muito pelo contrário, como faz questão de sublinhar Capicua, a líder da Guerrilha Cor-de-Rosa, crew composta "por mulheres fortes, batalhadoras, trabalhadoras e prontas para a porrada". Da equipa fazem parte M7, Blaya ou Eva Rap Diva, "todas elas rappers muito talentosas", mas também a Marta Ren, "uma amiga do Porto de há muito tempo", e Ana Bacalhau, para quem recentemente escreveu uma música. "Tive o palpite de que a presença de mulheres não ia ser assim tão grande e tentei reequilibrar um pouco a balança com pessoas de quem gosto muito. E, apesar da natural preponderância do hip--hop, são mulheres oriundas de vários universos, para valorizar também a presença feminina na música portuguesa", salienta. A este grupo junta-se ainda o DJ D-One e o ilustrador Vítor Ferreira, habituais colaboradores de Capicua nos seus espetáculos em nome próprio. A exemplo de Richie Campbell, também Capicua participou na primeira edição, como convidada surpresa da equipa de DJ Ride. "Foi muito divertido e também por isso aceitei este desafio logo de imediato. Dá muito trabalho, porque é preciso criar um espetáculo de raiz, para acontecer apenas uma vez, mas é para ganhar, porque eu venho do hip-hop e, embora não pareça, sou muito competitiva", avisa.

O duelo terá novamente lugar no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde serão instalados quatro palcos, um para cada uma das crews. Segundo as regras, o combate será composto por quatro assaltos, em que as diferentes equipas terão entre 8 e 15 minutos para desarmar os oponentes através das suas escolhas, sendo proibida a repetição de músicas. O cumprimento das regras será assegurado por dois anfitriões, que neste ano serão Carlão e Alex D"Alva Teixeira. No final, quem decide o vencedor é o público, através dos aplausos, logo de imediato traduzidos em número de decibéis por um sonómetro.

Uma grande festa

É esta faceta competitiva que é mais estranha aos Paus, que lideram a crew Paus e Pedras, da qual fazem parte nomes como Virgul, DJ Glue, Mike El Nite, Holly Hood, Carla Moreira e Silk. "Nós somos da misturada, é algo que faz parte do nosso ADN enquanto banda", afirma Joaquim Albergaria, um dos bateristas dos Paus. "O critério foi juntar a malta que ouvimos na carrinha, quando andamos na estrada", esclarece Hélio Morais, o outro baterista da banda. "Chamámos pessoas de que gostamos ou com quem gostássemos de trabalhar. Quisemos dar voz ao músculo dos Paus, trabalhando com um DJ que fosse capaz de combinar com groove o nosso rock mais sónico com um lado mais hip-hop e depois ir ainda buscar as raízes disso tudo ao funk", diz Albergaria, para quem "o pior é mesmo não poder assistir a isto tudo, do lado do público". O objetivo, segundo Hélio, "é ganhar, embora isso não seja o mais importante". Como avisa Albergaria, vão "com o coração todo para vencer. Se der, tanto melhor, se não que seja uma grande festa".

Já Rui Pregal da Cunha chamou Capitão Fausto, Memória de Peixe e Throes + The Shine para fazer a crew Ultramar. "Podia ter feito uma superbanda, mas foi muito mais interessante juntar três grupos, completamente diferentes, que admiro imenso", revela. Estava no entanto limitado pelo número de elementos, o que até o levou a quebrar algumas regras. "Foi por minha causa que o número das crews aumentou de oito para dez elementos", confessa. O maior problema foi mesmo a geografia: "Uns são de Lisboa, outros das Caldas e outros do Porto, o que nestas últimas semanas me tornou uma espécie de caixeiro-viajante." A exemplo dos Paus, o lado competitivo, "apesar de ser a ideia-base disto", é o que menos importa para o antigo vocalista dos Heróis do Mar. "Como quem decide é o público, a nós apenas nos resta fazer uma grande festa e curtirmos que nem uns doidos".

Informação útil:
Red Bull MusicCulture Clash
Coliseu dos Recreios, Lisboa
2 de março, sexta-feira, às 21.00
Bilhetes entre 20 e 35

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