Rosa Mota revive Los Angeles no Teatro D. Maria II

A vencedora da medalha de ouro de Seul recorda esse dia em palco. Está a partir de hoje, e por três dias, no Teatro D, Maria II, com "O Nome da Rosa".

"É o mesmo nervosismo das coisas que não sabemos como vão correr, é como numa grande competição", diz Rosa Mota sobre a peça "O Nome da Rosa" que estreia hoje no Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII), comparando a estreia em palco com os momentos que viveu como atleta profissional. "Treinamos muito mas ao longo dos 42 km qualquer coisa pode acontecer".

Rosa Mota confessa o espanto inicial quando a ideia surgiu, por parte dos autores, Pedro Zegre Penim (também encenador) e Hugo van der Ding, que também participam como atores. Lido o guião aceitou subir ao palco e reviver o momento histórico em que uma portuguesa de 30 anos ganha a maratona dos Jogos Olímpicos e conquista a medalha de ouro para Portugal.

"Lembro-me claramente de ver, pela televisão, as suas participações medalhadas nas Maratonas Olímpicas de Los Angeles [1984] e Seul [1988] e de sentir, através das reações eufóricas dos adultos, o entusiasmo patriótico pela Rosa", recorda Penim, citado pelo TNDMII, em comunicado.

Sobre este espetáculo, o encenador acrescenta ainda que pretende "olhar para o passado da Rosa, para a sua vitória iniciática em Atenas [1982], mas fazer desse momento e desse passado glorioso um caminho para a abertura de significados no presente, no momento do espetáculo", explica ainda. A atleta foi a primeira a ganhar a primeira maratona feminina, na Grécia. Entre esse momento e aquele 23 de setembro de 1988 em que cortou a meta em primeiro lugar em Seul se faz a peça. "Estamos a viver aquele momento intensamente. Acho que conseguimos reviver todos, até se calhar os mais novos que nunca tinham assistido.

Algumas pessoas com quem contactou neste espetáculo não viram as vitórias da atleta. "Mas há sempre os pais ou avós", começa por dizer. "E quando não há o Google dá uma ajuda", ri-se.

É dessas 2.25:39 horas que a maratonista levou a percorrer os 42,195 km da prova, no dia 23 de setembro de 1988, que os autores se debruçam, com as participações de Mariana Magalhães, Joana Magalhães, Mafalda Banquart, Xana Novais, Luísa Osório e os próprios Pedro Zegre Penim, Hugo van der Ding, em palco.

Já Rosa Mota, atualmente com 58 anos, prefere não falar sobre esses momentos da carreira. "Foi uma decisão que tomei há já uns anos".

Está em palco cinco minutos, e faz de si mesma. Ao contrário do restante elenco, não teve meses de ensaios. Apenas os últimos, e só tem elogios para a equipa e o para "o Pedro e o Hugo". "Gostei muito de trabalhar com eles".

A peça foi encomendada ao Teatro Municipal do Porto, pelo então vereador da Cultura da câmara, Paulo Cunha e Silva. Nasceu sob um chapéu mais vasto: Ícones de desporto. Além de Rosa Mota, outra peça, "Bibota de Ouro", encenada por Miguel Loureiro, lembrava os feitos de um atleta querido do Porto, o jogador de futebol Fernando Gomes. O objetivo era chamar nomes novos da encenação para o palco do Teatro Municipal do Porto. No entanto, o mentor da ideia acabaria por não ver a peça. Morreu a 11 de novembro, o dia em que o espetáculo deveria estrear no Rivoli. "Já não se fez", diz Rosa Mota, tom de voz tomado pela tristeza, já que o responsável pela cultura era um amigo.

"O Nome da Rosa"

De Pedro Zegre Penim e Hugo van der Ding

De 14 a 17 de janeiro

De quinta a sábado, às 21.00, aos domingos às 16.00

Bilhetes: De 5 a 17 euros (3 euros para professores e estudantes de artes performativas e teatro; 4 e 6 euros para famílias)

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