Retemperar forças com jantar de um chef privado antes de ouvir Khalifa

Com o recinto ainda a meio gás, o festival começou ao som da portuguesa Leonor Andrade, a uma hora em que a maioria dos festivaleiros ainda tratava dos banhos, dos cozinhados e ainda de algum descanso.

O início do primeiro concerto está apenas marcado para depois das oito, mas nas horas que o antecedem também não falta animação no Sudoeste. Entre as poucas centenas de pessoas que deambulam pelo recinto, a maioria concentra-se em frente ao palco EDP e do Stand da Caixa, onde durante todo o dia há aulas de dança e diversas coreografias para aprender. E pelo entusiasmo de todos, percebe-se que vai ser um sucesso. Um pouco por todo o lado, são vários os animadores que se esforçam por animar os presentes, juntando à sua volta pequenas multidões, com recurso a muitos brindes.

Bem diferente é o ambiente na zona do campismo, que por essa altura vive a sua grande hora de ponta, entre gente acabada de chegar, ainda carregada de mochilas, os que regressam da praia, mais os banhos, os cozinhados, as refeições... Junto à maior parte das tendas veem-se várias tarjas e cartazes, que identificam a respetiva "tribo" ou grupo de amigos.

Debaixo do avançado de uma enorme tenda, um grupo de amigos descansa à volta da mesa. É a primeira vez que Daniel, Juan, Guille, José e Ivan estão no Sudoeste e "há que aproveitar bem tudo", dizem. Chegaram no dia 30 de julho, vindos de Badajoz, em Espanha, para onde só regressam segunda, dia 8. "Já tínhamos ouvido falar muito bem do festival e como gostamos todos deste estilo de música, decidimos fazer umas verdadeiras vacaciones", admite um deles, enquanto chama os outros para posarem para a foto junto à bandeira do Deportivo de Badajoz. São várias, aliás, as bandeiras de Espanha ou de regiões do país vizinho, visíveis no acampamento, tal como são bem audíveis as conversas em espanhol um pouco por todo o lado.

À medida que o sol se põe, vão aumentado as filas junto aos chuveiros e à cozinha comunitária, equipada com 26 micro-ondas, 12 placas, 32 lava-louças e uma zona de refeições com oito mesas. Mordomias inimagináveis, aquando do primeiro Sudoeste, que passadas 20 edições até conta, hoje, com um chef privado para cozinhar refeições aos campistas. Chama-se Manuel Baeta e durante o festival trocou o seu restaurante na LX Factory, em Lisboa, pela cozinha comunitária da Casa Branca, onde todos os dias prepara dois pratos diferentes, ao almoço e ao jantar. "Tento mostrar--lhes que é possível comer bem e barato no campismo, sem ser só esparguete com salsichas", diz com humor, enquanto prepara uma jardineira com linguini tricolor e legumes. É só uma demonstração, mas ainda dá para algumas dezenas de pratos, que vão sendo distribuídos a quem chega. À volta da bancada, acotovelam-se já algumas pessoas, não só à espera de uma refeição grátis, mas também a aprender, sucedendo-se perguntas sobre o ponto da massa ou o tempo de confeção da carne. "Estou muito surpreendido com a qualidade de algumas refeições que já vi por aí. Há cada vez mais gente a cozinhar bem", afirma.

No recinto, já começara entretanto a música. A abertura oficial do festival coube este ano à portuguesa Leonor Andrade, que atuou no palco Santa Casa, perante algumas dezenas de pessoas. Também ainda pouco composto estava o palco principal, quando, cerca de uma hora depois, o australiano Josef Salvat apresentou a pop do disco de estreia Night Swim, que só conseguiu entusiasmar com o êxito Diamonds. Afinal, ainda havia que "retemperar forças para o que aí vem", como dizia alguém, enquanto esperava pela jardineira do chef Baeta. E perto das 22.00, quando Virgul começou a cantar, eram mesmo muitos mais em frente ao palco.

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