Radu Lupu com orquestra e depois a sós com o seu piano

O grande pianista romeno Radu Lupu vai apresentar-se por três vezes no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian: amanhã (dia 8, às 21.00) e sexta-feira (às 19.00), toca com a Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo jovem alemão David Afkham, o 'Concerto n.º 4, em sol M, op. 58', de Beethoven; no domingo, às 19.00, toca a solo um original programa preenchido por obras escritas na forma-variação por Mozart, Beethoven e Brahms e completado pela ainda rara 'Sonata em sol M, D894', de Franz Schubert, por vezes apelidada de 'Fantasia'. Portanto, na variação ou na 'fantasia', um recital sob o signo da imaginação. E imaginação é certamente o que não falta a Radu Lupu, pianista que tem visitado Lisboa com uma certa regularidade, enquanto intérprete.

Filho de pai judeu e de mãe cujo apelido remete para uma origem magiar-romani, Radu Lupu nasceu na danubiana Galati meses após o final da II Guerra Mundial. Na Roménia, estudou, entre outros, com uma professora que ensinara o seu famoso colega e compatriota Dinu Lipatti, mas foi na URSS, mais precisamente no Conservatório de Moscovo, que frequentou em meados da década de 60, que Radu Lupu se forjou verdadeiramente enquanto artista, tendo aulas com o famoso Heinrich Neuhaus (um dos grandes elos da escola russa de piano) e o filho deste, Stanislav. Antes de 1970, vence sucessivamente os concursos Van Cliburn, George Enescu e de Leeds. A carreira internacional começa então como uma sucessão natural.

Hoje, passadas quatro décadas e meia sobre esse exórdio, Radu Lupu é um dos consagrados do piano actual, um daqueles pianistas-narradores que em cada interpretação nos leva numa viagem por lugares e paisagens que ele próprio cria. Ao longo desse percurso, foi forjando laços particularmente fortes com os grandes mestres germânicos do Classicismo e Romantismo, com os quais hoje, justa (ou injusta-?)mente o identificamos. E a tudo acresce ainda uma certa aura de eremita: a sua 'persona' pública revela-se apenas quando em palco, sentado ao piano, tocando. Conhecendo-o, ousamos dizer que não haveria melhor Concerto de Beethoven para ouvir Lupu tocar ao vivo que o 'Quarto'...

O maestro

Aos 31 anos, David Afkham é uma das mais brilhantes revelações dos últimos anos no panorama internacional da direcção de orquestra. Digamos que ele é uma espécie de Gustavo Dudamel, mas sem o 'hype' do 'background' venezuelano - 'El Sistema' incluído. E, no fundo, tudo (lhe) aconteceu em meros seis anos! Corria o ano de 2008, quando Afkham venceu o concurso da London Symphony Orchestra para jovens maestros e parte do prémio foram dois anos como maestro-assistente da LSO. No ano seguinte, inicia idênticas funções na Orquestra Juvenil Gustav Mahler (em cuja condição o ouvimos na Gulbenkian mais que uma vez), que manterá ao longo de três temporadas, e em 2010 vence o concurso de Salzburgo, recebendo os louvores de Franz Welser-Möst pela sua postura artística. Na primavera de 2013, soube-se que Afkham fora escolhido para suceder a Josep Pons como titular da Orquestra Nacional de Espanha, cargo que assumiu na presente temporada. No interim, já dirigiu a 'crème de la crème' das orquestras mundiais! Amanhã (quinta-feira) e sexta, na Gulbenkian, além de dirigir Lupu no 'Quarto Concerto' de Beethoven, Afkham levará a Orquestra Gulbenkian pelas vastas proporções da 'Sinfonia n.º 4, em mib M, dita 'Romântica', de Anton Bruckner (1824-1896).

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