PSD questiona Governo sobre quadros de Vieira da Silva

Parlamentares apresentaram hoje um conjunto de perguntas sobre seis quadros em risco de sair do museu da pintora, questionando o ministério da Cultura sobre que medidas tenciona adotar

"Que medidas concretas tenciona o ministério da Cultura adotar para impedir que o país venha a perder em breve seis telas de Vieira da Silva?", interrogam vários parlamentares do PSD.

As questões endereçadas ao ministério da Cultura, tutelado por João Soares, surgem depois de revelada a notícia de que seis telas de Vieira da Silva, cedidas até final de 2015 pelos herdeiros do colecionador Jorge de Brito, estão em risco de sair do museu da pintora, em Lisboa, e serem vendidas, se não houver acordo com o Estado.

Contactado pela agência Lusa, João de Brito, um dos herdeiros do colecionador, recordou que o acordo de cedência das seis obras à Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva (FASVS), válido por cinco anos, termina no final de dezembro de 2015.

O protocolo de cedência foi assinado em 2011, com o direito de compra por parte do Estado "por valores que ficaram definidos na altura", recordou o proprietário, que não precisou valores, mas poderão oscilar entre 400 mil e um milhão de euros, cada uma.

A bancada do PSD admite ter ficado "surpreendida" com a notícia sobre "seis quadros fundamentais" de "uma das mais talentosas e marcantes artistas" de Portugal.

O PSD frisa que no "curto mandato" do XX Governo, resultante das eleições de outubro deste ano, houve uma reunião com representantes da família de Jorge de Brito onde "foi reiterada à família o interesse do Governo na manutenção das obras no país e na FASVS.

As diligências resultantes de tais contactos foram inseridas na pasta de transição endereçada aos governantes que se seguiram no XXI Governo Constitucional, liderado por António Costa.

O texto do PSD endereçado ao ministério da Cultura cita por diversas vezes a notícia da agência Lusa e os vários contactos estabelecidos sobre a matéria, nomeadamente com João de Brito mas também, por exemplo, com a diretora do Museu Vieira da Silva, Marina Bairrão Ruivo.

"Que impacto estima que pode ter um museu com o acervo da Fundação Vieira da Silva enquanto âncora da oferta cultural da cidade de Lisboa, numa altura em que o turismo tem crescido numa capital que cada vez mais é procurada por estrangeiros que aqui contribuem para a criação de emprego e riqueza?", interrogam ainda os parlamentares social-democratas.

Nascido em Lisboa, em 1927, Jorge de Brito trabalhou no setor financeiro e adquiriu vários bancos que vieram dar origem ao antigo Banco Internacional Português, e também várias empresas nas áreas do turismo, agricultura e comércio.

Após a revolução de 25 de Abril de 1974, foi viver para Paris, regressando a Portugal no início dos anos de 1980, restabelecendo as suas atividades. Foi vendendo algumas das peças de arte, nomeadamente à Fundação Calouste Gulbenkian, mas manteve uma coleção privada.

A paixão pela arte e pela história resultou numa coleção com cerca de 3.000 obras, na sua maioria na área da pintura, especialmente do período barroco, e também do século XX.

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