Promotores de espetáculos pedem audiência a António Costa

A Associação de Promotores, Espetáculos, Festivais e Eventos pediu hoje uma reunião ao primeiro-ministro para solicitar a reposição do IVA dos espetáculos ao vivo nos 6% num dia em que os bilhetes estão a ser vendidos mais baratos numa ação de sensibilização.

"Solicitámos hoje, por email, uma audiência com o senhor primeiro ministro. Obviamente que ficámos muito otimistas neste problema mais recente dos apoios à criação, em que o primeiro ministro pegou na pasta, pelo que estamos a ver para tomar decisões e resolver o problema e estamos absolutamente convencidos que ele desconhece a situação da cultura em Portugal e vai ser o nosso parceiro numa tomada de decisão rápida, que é a reposição do IVA nos 6%. A primeira medida da política cultural de um país em que os portugueses não conseguem comprar bilhete, obviamente que é baixar o imposto adicional que se põe sobre o preço do bem", disse ao DN Álvaro Covões, diretor da promotora de espetáculos Everything is New e vice presidente da Associação de Promotores, Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE).

O pedido de reunião surge no dia em que decorre uma campanha de venda de bilhetes para espetáculos com o preço a refletir o IVA a 6%, sendo o valor remanescente suportado pelos promotores de espetáculos aderentes. Entre os espetáculos de música abrangidos estão festivais como Paredes de Coura (que se realiza em agosto em Paredes de Coura), Alive (em julho em Oeiras) e Primavera Sound (em junho no Porto), e concertos como os dos Dead Combo, na Casa da Música, no Porto, de Mallu Magalhães, nos Coliseus de Lisboa e do Porto, de Lenny Kravitz, na Altice Arena, em Lisboa, ou de Rui Veloso, no Multiusos de Guimarães. Peças de teatro como O Deus da Carnificina, em cena no Teatro da Trindade, e o bailado Lago dos Cisnes, no Teatro Tivoli, ambos em Lisboa, estão também na extensa lista de espetáculos abrangidos.

"Se houvesse uma decisão de repor o IVA a 6% amanhã, os preços continuariam ao preço que estão hoje". assegurou. Por exemplo, um bilhete diário para o NOS Alive custa menos 4 euros e dois cêntimos até à meia noite de hoje. A ação "está a ser um sucesso" admite Covões."Tem estado a correr bem mas isto é uma iniciativa de sensibilização para mostrar aos portugueses e aos políticos que se o IVA for reposto nos 6% os bilhetes são mais baratos. Obviamente que houve um incremento nas vendas mas o nosso objetivo não era um black friday para vender os bilhetes de toda a gente", referiu.

"Acima de tudo foi uma campanha de sensibilização e aí foi um grande sucesso porque têm-nos chegado mensagens de todo o lado, de portugueses que veem com bons olhos a reposição do IVA nos 6% como de artistas e agentes culturais. Foi muito interessante porque durante o dia, até há uma hora atrás, ainda tínhamos pessoas a aderirem e a colocarem os bilhetes à venda com os preços como se o IVA fosse a 6%", disse ao DN.

A APEFE entende que não se pode penalizar o acesso à cultura e tem o objetivo da reposição do IVA a 6% e chegar aos dez milhões de bilhetes vendidos para os espetáculos ao vivo no prazo de dois anos. Atualmente, de acordo com os números mais recentes disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística relativos a 2016, foram vendidos 4,9 milhões de bilhetes, o que dá uma média de compra de um bilhete a cada dois anos para cada português."Se conseguirmos chegar um bilhete por português por ano no prazo de dois anos é um salto significativo e um impulso muito importante para as políticas culturais do país", enfatizou.

O momento escolhido para esta contestação ao IVA dos bilhetes, em vigor desde a entrada da troika em Portugal, aproveita a contestação do setor artístico aos subsídios à criação. "A partir de um momento em que há uma vontade política de se discutir as políticas culturais, então tem que se discutir do princípio até ao fim, não basta discutir só a política de apoio à criação, tem que se complementar com a política de fruição. Não é só criar, é preciso fazê-la usufruir", frisou Álvaro Covões. "Não faz sentido a obra produzida e apoiada pelo estado ser penalizada com o IVA a 6%", concluiu.

A decorrer está uma petição pública a solicitar a reposição do IVA a 6%.

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