Pavilhão Azul será novo centro de arte em Lisboa

Câmara cede o espaço, Julião Sarmento cede a sua coleção com 1200 obras.

Lisboa vai ter um novo centro de arte contemporânea, na zona de Belém, que, entre outras valências, vai ser a residência da coleção particular do artista Julião Sarmento. Para esse efeito, a Câmara Municipal de Lisboa disponibiliza o Pavilhão Azul, na Avenida da Índia, perto do Centro Cultural de Belém, que irá sofrer obras de recuperação. Por outro lado, o artista cede a sua coleção pessoal, a coleção SILD, que ficará em depósito por um período de cinco anos, renováveis, e servirá como base da programação do novo centro de arte contemporânea.

O protocolo entre a Câmara de Lisboa e Julião Sarmento será assinado amanhã, nos Paços do Concelho, pelo presidente Fernando Medina, e pelo artista.

No ano passado, Julião Sarmento mostrou parte da sua coleção particular na exposição Afinidades Eletivas, comissariada por Delfim Sardo. Na altura, estiveram expostas no Museu da Eletricidade e na Fundação Carmona e Costa mais de 300 obras de cerca de 100 artistas com os quais Sarmento sentia afinidades artísticas ou afetivas. Reunida ao longo de três décadas, a coleção tem cerca de 1200 obras de técnicas diferentes, da pintura ao desenho, da escultura à fotografia, do vídeo às instalações, onde se destaca o período de 1960 à atualidade. Nan Goldin, Andy Warhol, Cindy Sherman, Bruce Nauman, Marina Abramovic e Joseph Beuys são alguns dos nomes internacionais na coleção, a par de portugueses como Eduardo Batarda, Fernando Calhau, Pedro Cabrita Reis, Jorge Molder ou António Palolo.

"A coleção Sarmento não é uma coleção de colecionador, é uma coleção de artista, na medida em que, através dela, tanto temos acesso às transformações da arte do período que lhe corresponde, como também temos uma visão em espelho do artista sobre as suas opções estéticas, obsessões, interesses e visão sobre o que a arte, em cada momento, pode ser, refletindo a própria obra do autor, vertido em recoletor", escreveu Delfim Sardo num texto sobre a exposição.

Esta foi uma oportunidade para conhecer a faceta de colecionador daquele que é um dos mais importantes artistas visuais portugueses contemporâneos. Com 68 anos, Julião Sarmento, que estudou arquitetura, faz pintura, escultura, fotografia, vídeo. Já expôs no Museu do Chiado e na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no Museu de Serralves, no Porto, ou na Tate Modern, em Londres, entre muitos outros sítios.

De acordo com o jornal Público, o curador do renovado Pavilhão Azul será Sérgio Mah, comissário de várias exposições, ligado sobretudo à fotografia (Bienal Lisboa Photo e PhotoEspaña).

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