"Paris é uma Festa" de Hemingway a esgotar nas livrarias de Paris

Franceses veem o livro das memórias de Hemingway nos anos 1920 como uma homenagem à cultura da cidade

O livro de Ernest Hemingway Paris é uma Festa está a esgotar nas livrarias parisienses. As memórias do escritor estão a ser usadas como símbolo da resistência da cultura parisiense à adversidade. O livro, publicado postumamente em 1964, é um retrato da vida boémia na capital francesa nos anos 1920, e já estava, quinta-feira de manhã, em 11.º no top de vendas da Amazon.

Muitos compram o livro apenas para o lerem e relerem, tal como, após o atentado à redação do jornal satírico Charlie Hebdo, dispararam as vendas do clássico de Voltaire sobre a liberdade de expressão, Tratado sobre a Tolerância. Mas Paris é uma Festa aparece cada vez mais entre as flores colocadas como homenagem às vítimas dos atentados, diante do Bataclan ou das esplanadas e restaurantes atacados.

A iniciativa ganhou força após uma intervenção televisiva que se tornou viral. Uma mulher de 77 anos identificada apenas como Danielle foi entrevistada pela televisão BFMTV, apelou: "É muito importante trazer flores para os nossos mortos. É muito importante ver várias vezes o livro de Hemingway Paris é uma Festa, porque somos uma civilização muito antiga, e elevaremos sempre os nossos valores".

Acrescentou ainda: "Vamos fraternizar com os cinco milhões de muçulmanos que exercem a sua religião com liberdade e gentileza, e combateremos os dez mil bárbaros que matam supostamente em nome de Alá".

O livro Paris é uma Festa está publicado em português pela Livros do Brasil. Termina com as frases: "Paris não tem fim, e as recordações das pessoas que lá tenham vivido são próprias, distintas umas das outras. Mais cedo ou mais tarde, não importa quem sejamos, não importa como o façamos, não importa que mudanças se tenham operado em nós ou na cidade, acabamos por voltar a ela. Paris vale sempre a pena, e retribui tudo aquilo que lhe deres".

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