Os Tindersticks estão de volta e Stuart Staples ainda não acredita

Os ingleses editam hoje The Waiting Room e Stuart Staples, diz-nos que é (mesmo) o melhor disco que já fizeram

Está à porta de um hotel em Lisboa e é só por isso que o temos como forasteiro. De resto, fuma um cigarro enquanto não olha para nada em particular, como qualquer um que já viu aquela parte da cidade e aquele nervo matinal vezes sem conta. Stuart Staples está de visita, umas semanas antes da edição do novo disco dos Tindersticks: "É uma viagem de promoção, para falar com os jornalistas, mostrar o disco a algumas pessoas, esse tipo de coisas que temos de fazer."

É tudo verdade mas não é a história completa. Stuart Staples nunca faz "só mais uma viagem de trabalho". Aproveita o calendário e dá-lhe a volta: "Cheguei ontem e estive em casa de uns amigos a jantar. Vou ainda hoje para Madrid e fazer o mesmo quando lá chegar." A música surge no meio. Diz-nos que não sabe fazer canções se estiver quieto: "Vou buscar ideias aos outros. Não levem a mal, não roubo nada a ninguém, mas preciso de histórias reais para escrever outras."

Staples é o herói dramático que costumamos ver ao vivo com as misérias todas de fora. Estamos habituados a ouvi-lo cantar como quem chora más memórias - e não é qualquer um que tem estômago para se desfazer em mariquices desta maneira. Se lhe tiram a banda e o palco, então fica só Stuart, 50 anos de simplicidade e a timidez necessária para o distanciar da imagem de estrela pop. Fala baixinho para que ali no bar do hotel não o ouçam. Ele sabe que fala inglês mas também sabe que o mundo inteiro fala inglês. Um tipo cuidadoso, preocupado com os outros. É assim com quem não conhece, mais ainda com os seus.

Foi essa mania de não estragar os momentos que o acompanhou na composição e gravação de The Waiting Room. "Parece que voltámos a existir, a ter uma identidade. Até há uns anos procurávamos um equilíbrio. Agora juntámo-nos sem a obrigação de fazer um álbum. Tínhamos uma ideia ou outra e trabalhámos isso. No fim de 2014 começámos a ter noção de tudo o que andávamos a escrever." São 25 anos de banda, desde que começaram a brincar às canções em Nottingham, Inglaterra. Repetimos: 25 anos. O número é redondo. Stuart ri-se e diz "obrigado". Mas acaba aí a atenção que dá à data. Nada de edições especiais ou concertos de comemoração.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Exclusivos