Os cavalos de Alter que deram em CCB

Na conferência 'Como Nasceu o CCB', a propósito do aniversário do Centro Cultural de Belém, Valente de Oliveira contou como a coudelaria de Alter esteve na génese do projeto que este ano completa duas décadas.

"Começou com cavalos em Alter do Chão e acabou com a Montserrat Caballé a dizer que o auditório do CCB tinha uma acústica fantástica", contou ontem Valente de Oliveira, fazendo referência ao concerto de inauguração do Centro de Espectáculos, a 26 de setembro de 1993, com a soprano espanhola.

Na conferência 'Como Nasceu o CCB', a propósito dos 20 anos daquele espaço, o antigo ministro de Cavaco Silva contou que o primeiro projeto para a zona surgiu-lhe numa visita à coudelaria de Alter. "Apercebi-me que tanto as pessoas como os cavalos estavam em Lisboa, então pensei que podiamos criar um espaço na capital". Uma outra das muitas viagens que Valente de Oliveira fazia como ministro levou-o a Vila Viçosa, onde descobriu as carruagens do Paço Ducal. "Valia a pena juntá-las às do Museu dos Coches", lembrou-se.

A visibilidade e segurança de parte do acervo da Sociedade de Geografia de Lisboa também preocupava Valente de Oliveira, que iniciou conversações com a Marinha por causa da Cordoaria Nacional. "Pensei num local de exposições para os cavalos, os coches e o material da Sociedade de Geografia. Falei com o primeiro-ministro, que achou boa ideia. Mas tinha de angariar cúmplices e falei com a Teresa Gouveia [secretária de Estado da Cultura] e o João de Deus Pinheiro [ministro dos Negócios Estrangeiros], que se lembrou que mais tarde ou mais cedo iriamos presidir à Comissão Europeia e que poderiamos criar um local que desse também para isso", revelou Valente de Oliveira.

E assim surgiu a ideia do CCB, cujo projeto ficou sob a alçada da Cultura. "Como tinha estado na origem da ideia vim cá muitas vezes durante a construção. Fiz recomendações que foram acatadas, como a fachada toda coberta de pedra portuguesa", revelou antigo governante. "Aguentámos muitas críticas. Hoje já ninguém se lembra da imaginação das críticas que feitas na altura", rematou.

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