Onde ver a Eurovisão fora da Eurovisão

O Terreiro do Paço recebe concorrentes do Festival e músicos portugueses a partir de sexta-feira

Cláudia Pascoal e Isaura levam O Jardim ao Terreiro do Paço no domingo, dia 5. Longe da Altice Arena, que acolhe as semifinais e final do concurso, é neste palco que a Eurovisão palpita. É aqui que vai estar instalada a Eurovision Village, um espaço aberto à cidade, com animação todas as noites, de sexta-feira, dia 4, dia de abertura, até à final, no dia 12.

Um palco por onde, seguindo a tradição de outros países anfitriões da Eurovisão, passam os concorrentes de outros países. Até sexta-feira, segundo Henrique Amaro, responsável pela programação da Eurovision Village, havia cerca de 30 países inscritos, entre eles a Espanha e Estónia, por exemplo.

A canção espanhola:

A representante da Estónia:

Os nórdicos, por outro lado, fazem a festa em conjunto já na sexta-feira. Os concorrentes tomam conta da Eurovision Village entre as 19.00 e as 20.30, todos os dias, exceto domingo, quarta e sábado.

É também por aqui, e neste cenário em que se recebem delegações de 42 países estrangeiros, que se mostra a cena musical portuguesa. "Puro entretenimento, mas também oportunidades para aproveitarmos este entusiasmo e a presença internacional na cidade e propagandear um bocadinho aquilo que temos", afirma Henrique Amaro, consultor da Eurovisão e uma voz que se confunde com a história da Antena 3 e da música portuguesa.

Mostrar o que se faz em Portugal esteve na origem dos convites de Henrique Amaro. O resultado é um alinhamento onde se encontram muitos nomes que passaram pelo Festival de Canção, em 2017 e 2018. Ana Bacalhau e Marta Ren, Moullinex, Mallu Magalhães, Capicua, Francisco Rebelo, Jp Coimbra... "Quando fazes uma aproximação com o que teve o Festival da Canção há essa aproximação aos fazedores de música portuguesa e quando fazes a programação as pontas ligam-se".

Este é o programa da Eurovision Village:

- Sexta-feira, dia 4
O espetáculo de abertura cabe aos Beatbombers, "fazendo a ligação com o espetáculo visto serem artistas escolhidos para participar na flag parade" na final.

- Sábado, dia 5

Lisbon Open House: "Um espetáculo inédito, que estou com muita curiosidade para ouvir", diz Henrique Amaro. "Partiu de uma ideia minha mas foi desenvolvido pelo Moullinex", isto é, o músico Luís Clara Gomes e terá muito que ver com a sua editora, a Discotexas, diz o consultor da Eurovisão ao DN.

"Lisboa não é só fado. Há uma música de dança que embora agora tenha alguma amplitude pública, está a ser construída há 30 anos. Começou no DJ Vibe e no Rui da Silva, com os Underground Sound of Lisbon e já é uma grande viagem", considera o locutor, lembrando discotecas como o Frágil e Lux e os seus DJ, Vargas e Yen Sung."

"Já é uma grande viagem", refere, e continua. "Existiram depois os Buraka, essenciais para dar uma outra dimensão, o DJ Marfox, o Batida do Pedro Coquenão, a Discotexas, a editora do Moullinex. E o hip hop que não deixa de ser uma manifestação estética com ligação. É essa salada gigante que vai ser construída para esse espetáculo de sábado à noite".

- Domingo, dia 6

A história portuguesa na Eurovisão desfila pelo palco, com os tributos que vêm do Festival da Canção 2018. Carlos Paião, à tarde, "em versão revista e aumentada", com JP Coimbra (Mesa) e Nuno Figueiredo (Virgem Suta), entre as 16.00 e as 17.00.

A Blue Carpet, a partir do MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, a partir das 18.00, será transmitida em direto no Terreiro do Paço.

Depois das 21.30, o palco fica por conta das Doce, revistas por Moullinex. O músico entregou as canções com os seus arranjos a Ana Bacalhau, Marta Ren, Catarina Salinas e Selma Uamusse, repetindo, e ampliando, o espetáculo que também esteve em Guimarães, na final do Festival da Canção.

A noite de tributos termina com Áurea e Marisa Lins interpretando as canções de Simone, que também estará na Praça do Comércio. "Ela é o grande símbolo da Eurovisão", diz Henrique Amaro, sobre a cantora que levou "Desfolhada" a Madrid, em 1969.

Henrique Amaro recorda: "No pré-Sobral, havia duas imagens na minha cabeça, o Carlos Paião talvez por ser miúdo, além do E depois do Adeus do Paulo de Carvalho, mas a outra grande coisa eram as imagens a preto e branco da Simone a chegar a Santa Apolónia.

- Segunda-feira, dia 7

Banda do Mar, de Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Fred Ferreira, que não se juntam há três anos, voltam para uma atuação, a convite de Amaro, respondendo à ideia de trazer a lusofonia para a Eurovisão. "Nunca tiveram um palco com esta dimensão", diz Henrique Amaro. Tocam na segunda-feira.

A primeira parte é de Waldemar Bastos, no ano em que se assinalam os 20 anos do disco Pretaluz, editado pela Luaka Bop de David Byrne.

- Terça-feira, dia 8

Transmissão da primeira semifinal da Eurovisão.

- Quarta-feira, dia 9

É o dia da Europa assinalado no Terreiro do Paço. "É uma ótima oportunidade para trazermos algo que seja disperso da ideia de música pop, algo com mais passado", reflete Henrique Amaro. "Temos a Orquestra Metropolitana de Lisboa que vai tocar não só o Hino da Eurovisão, como agarrou em duas peças, uma de Mozart e outra de Beethoven, e vai apresentar na praça", explica. "Não ficar refém da música pop e terá aqui uma oportunidade de incluir outro elemento."

- Quinta-feira, dia 10

Transmissão da segunda semifinal da Eurovisão.

- Sexta-feira, dia 11

"Pensámos numa noite com valores mais emergentes, mais próximas de um publico juvenil", nota Henrique Amaro. "A Orelha Negra, que tem um excelente espetáculo visual, e a Capicua, que desafiámos a trazer um espetáclo que ela fez no Coliseu, muito limitado, que se chama Guerrilha Cor de Rosa". Em palco, só mulheres: Capicua, Ana Bacalhau, Marta Ren, M7 (Marta Bateira, aka, Beatriz Gosta) e a Blaya, dos Buraka. "As cinco têm esse espetáculo em que, para além da Capicua apresentar canções dela vão cantar cnações conhecidas, ligadas ao hip hop internacional. É um espetáculo inédito numa dimensão destas".

- Sábado, dia 12

Transmissão da final da Eurovisão.

Festas na cidade e um Euroclub

Durante uma semana, a discoteca Ministerium, no Terreiro do Paço, muda de nome e passa a ser o Euroclub, de portas abertas para fãs, imprensa e delegações. Está aberto a partir de domingo, das 23.00 às 04.00. As noites são temáticas. Há uma noite nórdica (segunda, dia 7), uma participação da cantora Dora (a de Não Sejas Mau Para Mim, 1986) e Suzy, a representante de Portugal na edição de 2014, muito popular entre os eurofans.

Em alternativa às festas oficiais, ou às que as embaixadas estão a preparar para os seus representantes, o grupo de fãs da Eurovisão, OGAE, terá um Eurocafé no Club MoME (Avenida 24 de julho), restrito a quem se tenha inscrito.

No Trumps, que se chama a si mesmo o "o melhor unOfficial Euroclub" da Eurovisão, a festa é na sexta-feira com a atuação da cantora cipriota Eleni Foureira.

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