Onde foram expostas as obras de Miró entre 2008 e 2011

Nova Iorque, Madrid, Londres, Valência e Palma de Maiorca são algumas das cidades que, entre 2008 e 2011, acolheram algumas das obras de Joan Miró, da coleção do antigo BPN.

A mostra "Miró: Paiting & Anti-painting" ("Pintura e anti-pintura"), dedicada à produção do pintor catalão no período 1927-37, no Museu de Arte Moderna (MoMA), entre 02 de novembro de 2008 e 02 de janeiro de 2009, acolheu, por exemplo, pinturas do conjunto produzido no verão de 1936 e "La Fornarina", segundo a "checklist" do museu nova-iorquino e os catálogos da Christie's, para os leilões dos passados dias 04 e 05 de fevereiro.

O Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid, recebeu uma pintura sobre madeira prensada, de 1935, para a mostra "Miró: La Tierra", que se realizou entre junho e setembro de 2008.

A Fundação Fundación Pilar i Joan Miró, em Palma de Maiorca, mostrou "Femme assise II", na exposição "Evocació de la imatge femenina", de dezembro de 2008 a março de 2009.

A Tate Modern, em Londres, escolheu "Toile brûlée 3", para a mostra "Joan Miró, the ladder of escape", realizada entre abril e setembro de 2011.

Os palácios italianos dei Diamanti, em Ferrara, e Sant'Elia, em Palermo, assim como a Fundació Bancaja, em Valência, são outras instituições que receberam quadros de Miró do ex-BPN, em mostras de 2008 e 2009, de acordo com o histórico dos catálogos da Christie's.

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), após consulta dos seus arquivos, garantiu que "não foi referenciado qualquer pedido de exportação ou expedição de obra da autoria de Joan Miró, a que se refere o pedido de informação da Agência Lusa".

O pedido da Lusa dizia respeito exatamente às obras apresentadas nos catálogos da Christie's para o leilão dos passados dias 04 e 05 de fevereiro, identificadas como "propriedade" da "República Portuguesa", que foram expostas fora de Portugal, entre 2008 e 2011, já depois de adquiridas pelo antigo BPN, quase sempre num período posterior à nacionalização do banco, ocorrida em novembro de 2008.

A aquisição dos quadros de Miró pelo ex-BPN estende-se, em particular, pelos anos de 2003 a 2006, segundo os dados impressos nos catálogos. A maioria tem origem na Galeria Pierre Matisse, em Nova Iorque, fundada pelo filho mais novo do pintor francês Henri Matisse.

A outra etapa comum a quase todo o acervo Miró do ex-BPN é o colecionador japonês ao qual foi adquirido. A Christie's não indica o seu nome - Kazumasa Katsuta -, embora seja citado na imprensa espanhola e britânica (El País, The Guardian), como proprietário anterior de quase todos os 85 quadros de Miró em questão.

Kazumasa Katsuta, um dos principais patronos da Fundação Joan Miró de Barcelona, é indicado, no mercado de arte, como um dos maiores colecionadores do pintor catalão desde que, no início da década de 1990, adquiriu cerca de 500 obras de Miró à viúva do "marchand" Pierre Matisse, falecido em 1989, em Nova Iorque.

Desde 2000, a imprensa espanhola acompanhou a transferência, empréstimo, cedência ou depósito da coleção de Katsuta, na Fundação Miró, a ponto de ser noticiada a ampliação das suas instalações, em Barcelona, para acolher os quadros (El País, 22 de janeiro e 04 de abril de 2000).

Os 85 quadros de Miró da coleção do ex-BPN nunca foram exibidos em Portugal, embora em 2011-12, o então secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas tivesse manifestado intenção de o fazer, de acordo com fontes próximas do escritor e atual editor livreiro.

"Os Mirós de Miró", na Fundação de Serralves, em 1990, e "Constellations de Joan Miró", na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa, em 1998, são duas exposições dedicadas exclusivamente ao artista catalão, realizadas em Portugal, nas duas últimas décadas.

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