"O primeiro best-seller foi sobre a escravatura"

O historiador João Pedro Marques lançou um novo romance, que trata da escravatura em Portugal, África e Brasil.

O interesse pela história está na base do trio de romances já publicados desde 2010 por João Pedro Marques, a que se junta o seu mais recente trabalho: Do Outro Lado do Mar. Considera que este devia ter sido o seu primeiro romance porque é o assunto que melhor domina, o da escravatura, mas sentiu necessidade de distanciamento. Entre 2009 e 2014, situou os seus romances numa Lisboa assolada pela febre-amarela (Os Dias da Febre), na colonização de Moçâmedes (Uma Fazenda em África) e nas Guerras Liberais (O Estranho Caso de Sebastião Moncada). "Todos tiveram os seus desafios", garante.

O tema da escravatura é daqueles com que a literatura portuguesa menos se preocupa. Porque pega nele é a pergunta: "Porque é um ótimo tema para um romance histórico e o que mais estudei como historiador. Além disso, é o tema ideal para construir um romance pois está cheio de tudo o que é humano: sofrimento, crueldade, ganância, generosidade, violência, paixão, luxúria, drama..."

Não considera a escravatura um tema apagado do ensino, mas "pouco valorizado", pois na "ótica portuguesa era mais uma questão brasileira e africana. Uma questão estritamente colonial que, a partir do século XVII, raras vezes passa por Lisboa".

João Pedro Marques garante que não suavizou a descrição dos navios negreiros, mas fê-lo de forma realista: "As condições de transporte dos escravos mudavam de navio para navio, mas eram geralmente horríveis. No século XIX, quando o tráfico se tornou ilegal e os lucros potenciais do negócio cresceram em conformidade, chegaram a utilizar-se navios a vapor, mas os escravos também podiam atravessar o Atlântico em pequenas lanchas, onde iam em condições dificílimas, arrumados uns sobre os outros."

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