"O poder não tem medo dos livros porque não lê"

O escritor angolano José Eduardo Agualusa anuncia ao DN que vai voltar a morar no seu país já em setembro após uma ausência de quatro anos. Quanto à força dos livros para mudarem o mundo, responde: "Não acho que haja esse medo do livro pelo poder, já que essas pessoas não leem e têm uma ignorância grande em relação ao livro." Uma situação que tanto se verifica na atual classe política de Angola como de Portugal.

O regresso a Angola não é para ficar porque, diz, "ficar é morrer". Justifica: "Pretendo continuar a movimentar-me. Viajo bastante, e agora estou no Brasil. Que é um país muito importante para mim como escritor e cidadão." Aliás, o escritor garante que o Brasil será o futuro para o autor de língua portuguesa e dá como exemplo Valter Hugo Mãe: "Já tem mais leitores brasileiros do que portugueses."

Quanto ao seu último livro, "Rainha Ginga", é o regresso ao romance histórico com que iniciou a sua carreira e que surge num momento em que os angolanos buscam o conhecimento do passado: "O facto de Angola ter uma população tão jovem ? a maioria tem menos de 20 anos ? explica essa ignorância da História, até porque as pessoas vivem muito o presente."

Quanto ao regresso dos portugueses para a ex-colónia, José Eduardo Agualusa estranha que em 1974 tenha havido uma ruptura tão grande entre os dois povos: "Mesmo que se explique por razões históricas, não deveria ter acontecido. O que podemos dizer é que esta ida dos portugueses para lá agora nem sempre ocorre da melhor maneira porque vão na perspectiva de ganho imediato e por um tempo determinado. Não vão com a ideia de ficar e também Angola não ajuda com o seu sistema político e um mecanismo de leis. Angola não é um país que facilite a integração dos portugueses."

Leia a entrevista completa na edição em papel ou e-paper do DN

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