O homem do daguerreótipo

Amateur, de Olga Santos, sobre Carlos Relvas, o pioneiro da fotografia em Portugal

Em tempos de superprodução de imagens, pensar a fase embrionária da fotografia, os seus precursores e o próprio acontecimento do ato de fotografar, é quase um exercício militante.

O documentário de Olga Santos, Amateur, com a lente voltada para o espólio do fotógrafo amador Carlos Relvas (1838-1894), propõe-se a isso mesmo, com o inestimável contributo de um conjunto de especialistas.

A superioridade deste trabalho documental está justamente nessa riqueza teórica transmitida por pessoas do meio como Sergio Mah, Margarida Medeiros ou o casal de artistas Mark e France Scully Osterman, que se debruçam não só sobre as fotografias -territórios de pura encenação - como também sobre os métodos performativos de Carlos Relvas.

O estúdio que este construiu na Golegã é visto, aliás, por Mark Osterman como uma "máquina, um sistema de iluminação" em si, que nos conduz ao imaginário retratista do pioneiro. Amateur tem ainda a particularidade de não se esgotar no(s) seu(s) discursos(s) formais e técnicos, deixando entrar magia como a luz entrava no estúdio de Relvas. É importante conhecê-lo.

Classificação: ***

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