"O Estado tem de se sentar à mesa com a Câmara"

O presidente da Fundação Cidade Guimarães (FCG), João Serra, considera que o Estado deve financiar as estruturas que ficam da Capital Europeia da Cultura (CEC) e desafiou o secretário de Estado da Cultura para debater o impacto de 2012.

João Serra, responsável máximo pela entidade organizadora da CEC, acompanha o presidente da Câmara de Guimarães, António Magalhães, na reivindicação de que estruturas como a Plataforma das Artes e da Criatividade possam vir a receber um apoio do Estado semelhante ao que usufruem entidades como o Museu de Serralves, no Porto, ou Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

"O Estado central tem de se sentar à mesa com a Câmara de Guimarães", afirmou João Serra, em entrevista à agência Lusa, considerando que a cidade "fica com mais encargos, mas também com mais possibilidades" e que "há muitas formas de o Estado fazer esse apoio".

João Serra, que considera que "o financiamento da Cultura em Guimarães não pode deixar de ser autárquico, estatal, privado, mecenático e europeu", revelou satisfação por a autarquia ter dado "um sinal fundamental ao fazer aprovar em orçamento três milhões de euros para a Oficina, o que garante o financiamento em condições idênticas às dos melhores anos de investimentos culturais".

A cooperativa com participação camarária, a Oficina, é, para João Serra, a "o garante de continuidade" e "será o interlocutor externo a partir do momento em que a Fundação Cidade Guimarães (FCG) seja extinta".

O presidente da FCG não tem dúvidas que 2012 "trouxe um reforço do mercado cultural não apenas pelo lado da procura", mas também da "produção" e que "o programa cultural cumpriu o seu caderno de encargos".

Para Serra, hoje, "é comummente aceite que se tratou de um programa diversificado, com um excelente nível de qualidade artística e de pertinência em função do momento em que se vive e dos desafios e exigências que são postas à cultura como um elemento, também, de desenvolvimento e qualificação dos territórios".

Nisso, teve importância a articulação com as estruturas locais: "Nós não fizemos uma CEC em Guimarães, mas uma CEC de Guimarães e com Guimarães", considerou João Serra, que afirma que "isso foi assumido muito claramente por toda a equipa" e, talvez, esta "tenha sido a reorientação" que introduziu quando tomou posse.

Está empenhado, no entanto, em avaliar o impacto de Guimarães 2012 . Revelou ter desafiado esta semana o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, para realizar "um fórum, em março ou abril, para debater e refletir" a CEC, convidando à reflexão observadores locais, representantes de instituições e personalidades do mundo associativo, bem como a imprensa" que acompanhou o evento.

Para João Serra, é importante "debater o que se pode retirar de Guimarães para as políticas culturais públicas, principalmente em períodos em que o Estado é obrigado a recuar significativamente no apoio às instituições culturais".

Questionado sobre as imagens mais fortes que ficam de 2012, João Serra considerou que "uma imagem de marca das Capitais Europeias da Cultura em Bruxelas "é de uma praça cheia, a 21 de janeiro, com o 'vídeo-mapping' num dos topos da praça e um cavalo mexendo-se no meio".

"Essa imagem é, de facto, um ex-líbris", afirmou.

Olhando para as diferenças entre 2009, altura em que começou a trabalhar na cidade, e este final de 2012, João Serra não tem dúvidas: "Guimarães é hoje uma cidade mais aberta, mais alegre", uma cidade "orgulhosa de si própria como cidade".

"Fez a prova mais difícil, que é a prova de abertura ao mundo, de acolhimento das mais diversas personagens, sensibilidades, experiências. Envolveu-se em projetos difíceis e a todos respondeu 'sim' e reconheceu que tinham o seu lugar aqui. É a prova de uma grande cidade e foi superada por Guimarães".

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