O dia em que António Silva e Vasco Santana assassinaram Hitler

Entraria nesta sala... é a peça que leva a Costa do Castelo para a Alemanha nazi no D. Maria II

Vasco Santana, ali Narciso, assobia a Rosa Tirana enquanto se dirige a um candeeiro público. "Boa noite V. Exa. V. Exa. vai perdoar-me a inconveniência, mas podia fazer-me o obséquio de me dar um bocadinho do seu lume?" Pátio das Cantigas, 1942. Essa cena do filme de Fernando Ribeiro a que quase se poderia chamar património português, de tal forma ficou gravada na memória de gerações, sobe agora ao palco do sala estúdio do Teatro Nacional D. Maria II. Ricardo Neves-Neves, que a interpreta, é também quem a pôs ali. Foi ele quem escreveu a peça Entraria nesta sala..., encenada por Sandra Faleiro. Além de Vasco Santana, nela entram Beatriz Costa (Joana Campelo), Maria Matos (Cristina Carvalhal) - a "titi" - e António Silva (Rui Melo), o "paizinho".

Isto foi um género de brincadeira com a participação de Portugal na II Guerra

Quando a cortina abre, estamos, então, na Costa do Castelo, Lisboa, em 1945. Além de os vermos a cores, uma diferença por si só substancial, outras acrescem. Nossa Senhora aparece-lhes e fala em espanhol. Mais: atribui-lhes a missão de assassinarem Adolf Hitler nesse ano que seria o último da II Guerra Mundial. Esse ato, que deverá conduzir "o Quinto Império aos píncaros", deveria ser levado a cabo depois de uma viagem numa cápsula de teletransporte até Berlim. Depois de improvisarem um espetáculo de variedades para Hitler, conseguem, efetivamente, matá-lo.

"Isto foi um género de brincadeira com a participação de Portugal na II Guerra Mundial. O que se passava em Lisboa era uma espécie de Disneyland. Enquanto a Europa estava a ser destruída, inauguravam-se exposições mundiais, como a do Mundo Português em 1940" explica Ricardo Neves-Neves aos jornalistas após o ensaio.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG